
Nasceu em 1972 em Cologne, Alemanha. Estudou arquitectura Graz e Delft. É Licenciada por Graz desde 1999. Após iniciar a sua actividade profissional como arquitecta, seguiu posteriormente os estudos em jornalismo. Actualmente vive em Vienna e escreve sobre o tema arquitectura para revistas internacionais e jornais. É sócia de morgenbau (junto com Christof Isopp e Georg Lippitsch), uma rede de colaboração sobre arquitectura, jornalismo e gestão criativa.
Nasceu em Ponta Delgada em 1972. Estudou arquitectura em Nova Iorque (mestrado na Columbia University, 99) Londres (estágio com Donald Insall Associates, 96 -recuperação do Castelo de Windsor após o fogo e biblioteca Univ. Cambridge), licenciatura no Porto (FAUP, 96). Abriu gabinete no Porto em 2001, que é hoje uma empresa unipessoal. Começou em 06 em Harvard um plano para arquitectura sustentável que desenvolve agora com projectos na China e Eua.
Entidade fundada em 2002, em Beja pelos arquitectos Augusto Marcelino, Cristina Mendonça, Albuquerque Goinhas,
Luís Baptista, Nuno Griff, Pedro Patrício e Sofia Antunes, formados em 2000 e 2001 pela Universidade Lusíada de Lisboa. Colaboraram com o arquitecto Vítor Figueiredo. Esta entidade assenta os seus princípios numa estrutura de hierarquia dinâmica e diversificada em regime de co-autoria/responsabilidade que alia a liberdade individual a uma continuada confrontação colectiva. Participaram desde 2001 em vários concursos e projectos em Angola (Luanda), Coreia do Sul (Gyeonggi-do), Espanha (Granada), Inglaterra (Lathom / Lancashire), Irlanda (Cork), Itália (Gorizia), Grécia (Pilea) e Portugal (Almada, Amadora, Angra do Heroísmo, Aveiras de Cima, Beja, Borba, Bragança, Castelo Branco, Évora, Faro, Fátima, Freixo de Espada a Cinta, Guarda, Lisboa, Marinha Grande, Porto, Tomar, Torres Novas, Vila Franca de Xira, Vila Nova de Foz Côa e Vila Nova de Gaia), dos quais se destacam como 1ºs classificados no CMIA da Guarda 2001, CMIA de Tomar 2003-06 (Construído), Sede da Delegação do Algarve da Ordem dos Arquitectos em Faro 2003 e Centro de Monitorização Ambiental e Prevenção de Risco da Marinha Grande 2004.
Ângela Frias, 1977. Licenciada pela ESAP 2004. Colaborou com Paulo Providência, arquitectos associados, entre 2004 e 2006. Gonçalo Dias, 1977. Licenciado pela Universidade Lusíada do Porto 2002. Colaborou com Paulo Providência, arquitectos associados, entre 2002 e 2003. Ricardo Granja, 1974. Licenciado pela Universidade Lusíada do Porto 2003. Colabora com Paula Santos – Arquitectos lda, desde 2000.
Formaram em 2003 o A2G gabinete de arquitectura, onde se destacam os projectos já construídos: Edifício de Habitação Plurifamiliar, 24 habitações, em Matosinhos 2003; Remodelação de clínica estética, V.N.Gaia 2005; Espaço expositivo Granorte 2006. Os projectos para uma casa em Perafita 2005 e no Douro 2006; a recuperação da casa Relvadas, Anadia 2005, e de uma case em V.N.Gaia 2007 e o Espaço expositivo “Boom Festival” 2006. As participações nos concursos: Nakdong Eco-center, Korea Sul 2004; Europan 8, Palmela 2005 e Gbd, Beijing, China 2007.
Filipe Martins Correia, Lisboa 1974. Licenciado pela Universidade Lusíada de Lisboa 1998, bolseiro Erasmus no Politecnico di Milano 1996. Em 1999 concluiu a pós graduação “projectar no tempo, arquitectura, cidade e mestiçagem” promovido pelo Instituto Lusíada de pós graduações em parceria com a Univertsitat Politécnica de Catalunya. Pedro Ramos Pinto, Lisboa 1974. Licenciado pela Universidade Lusíada de Lisboa 1997. Entre 1997 e 98 colaborou com o Arq. José Manuel Pedreirinho na execução do livro “ Guia Arquitectónico e Urbanístico da Cidade do Nome de Deus de Macau”, estagiando como bolseiro do Instituto Cultural de Macau na recolha e pesquisa de dados. Entre 1998 e 1999 colaborou com o Atelier Arquiprojecta. Entre 1999 e 2000 trabalharam ambos no Atelier António Carvalho, Arquitectura e Urbanismo, Lda. Trabalham em parceria desde 2000, tendo em 2004 fundado o atelier de arquitectura, Martins Correia & Ramos Pinto – Arquitectos, Lda., onde se destacam, estre outros os seguintes projectos: Novas Instalações da Marbrito em Vila Viçosa; Recuperação e ampliação da “Casa da Bouça” em São Domingos de Rana; Edifício habitacional “Terras da Campina”em São Brás de Alportel; Loteamento urbano “Dr. João de Matos Proença” em São Brás de Alportel; Recuperação e ampliação da Moradia unifamiliar Dra. Margarida Quinta em Mafra; Moradia unifamiliar Dra. Ana Jorge em Toledo; Lotes 8, 7, 6, 5 e 4 do loteamento urbano “Dr. João de Matos Proença” em São Brás de Alportel; Lotes 3, 2 e 1 do loteamento urbano “Dr. João de Matos Proença” em São Brás de Alportel; Atelier de arquitectura mcrp arquitectos, lda. em Lisboa; Stand conjunto para AICE, Herdade dos Salgados, Haviti e Colombus Resort no Salão Imobiliário de Madrid; Farmácia Campos em Cacela, Vila Real de Santo António; Stand conjunto para AICE e outros no Salão Imobiliário de Lisboa; Edifício habitacional na Azinhaga das Galhardas em Lisboa.
Porto, 1965. Licenciada pela FAUP 1989. Colaborou com o arq. Eduardo Souto Moura entre 89 e 95.
É Professora Associada no Departamento de Arquitectura da Universidade Lusíada do Porto (Projecto 5º ano). Foi bolseira da FCT-MCT, tendo defendido em 2006, na ETSABarcelona UPC a Tese de Doutoramento “Ruy Jervis d’Athouguia – A modernidade em aberto”. Instala-se em 1995 em escritório próprio, desenvolvendo trabalhos individualmente e estabelecendo algumas parcerias. A partir de 2000, inicia a realização de projectos em sociedade com o arq. Eduardo Souto de Moura. Em 2005, funda com Roberto Ragazzi, a cr-arquitectos, onde desenvolve projectos de autoria individual ou em parceria, designadamente a Casa do Gerês, Finalista da Selecção Portuguesa da V Bienal Ibero-Americana de Arquitectura e Urbanismo, Montevideo, 2006 e do Prémio Ibérico de Arquitectura “Enor 2006”.Participa em vários concursos públicos, tendo obtido dois 1ºs Prémios, os seus trabalhos têm sido seleccionados para diversas publicações e exposições, entre as quais “Habitar Portugal 03-05”, com o Pavilhão Multiusos do Externato S. João de Brito. Participou em vários Seminários e Conferências em Portugal e estrangeiro.
Bárbara Delgado, Oxford, 1969. Licenciada pela Universidade Lusíada de Lisboa, 1993, mestrado em Desenho Urbano na Universidade de Barcelona, 2002. Colabora, desde 1997, no Departamento de Obras Municipais, Divisão de Estudos e Projectos da Câmara Municipal de Loures.
Rogério Gonçalves, Porto, 1967. Licenciado pela FAUTL, 1993, mestrado em Desenho Urbano na Universidade de Barcelona, 2002. Entre 1994 e 2002 colabora em diversos projectos editoriais. Desde 2004 é docente do Curso de Arquitectura da Universidade Moderna, Lisboa.
Constituíram atelier em 2002, onde tem desenvolvido diversos projectos de habitação, serviços e espaços culturais e participado em vários concursos de arquitectura. Do seu trabalho destacam-se: edifício de habitação e comércio em Tavira, 02; moradia em Estiramantens, 02; Linha de Água, Perspectivas sobre a requalificação da orla costeira de Oeiras, 03; Remodelação de espaço comercial/serviços, Alfama, Lisboa 04; Nova Sede da Empresa MCAA Filmes, Lisboa 05; Concurso para os edifícios das novas ETARS do Barreiro e Moita, 06 e ampliação de moradia, Sertã 07.
Évora, 1972. Licenciado pela FAUTL 1995. É professor no curso de Arquitectura da Universidade Lusíada de Lisboa, desde 1998. Colaborou no atelier de João Luís Carrilho da Graça entre 1993 e 2001. Formou o atelier SOMA em 2003, com Pedro Matos Gameiro e Carlos Crespo, arq.tos e Pedro Romano e Paulo Cardoso, eng.s., onde se destacam os projectos premiados em concursos: Pavilhão Desportivo de Castanheira do Ribatejo, 1ºprémio; Giant’s Causeway Visitor Facilities, Irlanda do Norte, 3ºprémio; Casas Mortuárias de Alhandra, 1ºprémio. Foi consultor da ParqueExpo e do Ministério do Ambiente, responsável pela gestão dos Projectos de Referência do Programa Polis, em 2002 e 2003. Iniciou actividade em atelier próprio em 2003, onde desenvolveu, entre outros, o projecto: Estação Biológica do Garducho, Mourão;
Centro Ambiental de S.Matias, Évora; Estúdios Fotográficos Shining, Lisboa; Casa na Quinta do Evaristo, em Évora; Casa no Centro Histórico de Évora; Parque de Feiras, Exposições e Actividades Económicas de Évora - com João Luis
Carrilho da Graça e o 1º prémio no concurso para a Recuperação da Fábrica dos Leões para a instalação da Faculdade de Arquitectura e Artes da Universidade de Évora, em co-autoria com Inês Lobo. Alguns destes trabalhos têm sido apresentados ou publicados em Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, Brasil, Coreia e China.
Guimarães, 1977. Licenciado pelo DAAUM, 2002. Frequentou a École Polytechnique Fédérale de Lausanne. Concluiu em 2007 o Master’s Degree in Collective Housing na ETSAMadrid. Colaborou, desde 1999, com diversos ateliês, nomeadamente com Carvalho Araújo - Arquitectura e Design Lda. Recebeu, em co-autoria, o 1º Prémio Universidade no “11º Concurso Ibérico Pladur, Unidade Habitacional para Intervenções de Urgência” em 2001, e em 2003 o 1º prémio no concurso internacional ”Europan 7, Vila do Conde”. Em 2005 estabelece-se como profissional autónomo, criando o seu próprio atelier de Arquitectura, claudiovilarinho.com arquitectos e designers. A exploração do conceito Impacto numa Arquitectura assumidamente contemporânea, e o Design como instrumento de complemento ao projecto de Arquitectura, são estratégias do atelier.
Porto,1974. Licenciado em Arquitectura pela Universidade Lusíada do Porto, 1998. Master “Critica y proyecto” na “Escuela Técnica Superior d’Arquitectura de Barcelona, 1999. Doutorando na Universidad Politécnica da Cataluña. Professor assistente de projecto na Universidade Lusíada de Famalicão desde 2001. Colaborou com Avelino Oliveira até 2005. Associou-se ao seu irmão (Designer Gráfico) Alexandre Moreira em 2006 criando a EZZO ARQUITECTURA.
O tema do debate da sessão de 18 de Setembro, Making Mistakes, acabou por ser um espaço em quase permanente deslocação para campos mais gerais do exercício da profissão. Silvia Forlati, membro da plataforma Wonderland, introduziu um panorama europeu em torno do risco e do erro, mais sobre a sua antecipação e consciência do que em torno das consequências que deles advêm. A arquitectura é nos apresentada como “uma indústria que cria protótipos, portanto com um grau elevado de experimentação” que “deve desenvolver estratégias para lidar com o erro”. O erro tem implicações distintas em função das responsabilidades que o âmbito do exercício de arquitectura tem nos diferentes países, o que decorre, essencialmente, das estruturas de formação que em cada deles faz, desmultiplicações daquilo que em Portugal é ainda uno. “O grau de exposição mediática justifica o risco, a experimentação ajuda a definir a marca”, ou seja é ainda a diferenciação de uma prática autoral que sustenta o exercício da arquitectura um pouco por toda a Europa. Outro traço de união é a dificuldade de gerir processos de gestão de marketing e angariação de trabalho, bem como a gestão financeira dos ateliers. Os processos de certificação de qualidade das empresas de arquitectura são ainda pouco relevantes para os clientes, são sobretudo proveitosos para processos de sistematização internos. “O risco deriva da busca incessante de informação” (Marco Carvalho) e “querer fazer os melhores projectos não é suficientemente diferenciador, o que é diferenciador é gerir os acontecimentos externos da actividade: garantir o cliente e a sua permanência enquanto cliente”. Assim é no mercado e dentro da sua lógica que se propõe o exercício generalizado da profissão, associando autoria e diferenciação como condição inevitável, como justificação do risco.
Nuno Almeida desviou os erros para a arquitectura enquanto corporação, apontando a concentração de esforços na revogação do 73/73 como um estoicismo pouco objectivo e propondo uma confrontação de utilidades entre o inquérito à arquitectura do século XX e um rastreio da real proporção de projectos de arquitectura construídos feitos por arquitectos em Portugal. É a necessidade de tipificar a relação entre arquitecto e cliente e parametrizar o desempenho do arquitecto para além da sua recensão crítica (normalmente pelos seus pares), que pode construir uma real avaliação da responsabilidade e do retorno da actividade profissional. A concentração no reconhecimento da especificidade do exercício da profissão conduz a uma restrição do âmbito da actividade, ou seja o arquitecto está demasiado empenhado na sua existência enquanto autor e esta figura (arquitecto-autor) distorce a percepção da extensão do campo do licenciado em arquitectura. Normalizar e dignificar a arquitectura enquanto carreira, nas suas várias formas, é ainda um tema distante, e é evidente a desproporção existente entre o arquitecto-trabalhador e o arquitecto-autor. Nuno Almeida apontou ainda a generalização dos cursos de arquitectura em torno de um programa comum como construção de uma visão da arquitectura em pirâmide com o arquitecto-autor como vértice, uma miragem da realidade da profissão (voltamos à persistência beauxartiana da arquitectura). A falta de percepção geral do âmbito legal do arquitecto é ainda a base da chamada de ordem de Nuno César Machado que referiu o excesso legislativo e o excesso de competências a que os arquitectos estão sujeitos, em esquizofrénico contraste com o entendimento da arquitectura como produto cultural (Teresa Novais), não como actividade burocrática, mas como actividade criativa para a qual é necessário encontrar equipas coesas que permitam gerir graus de experimentação (Paula Santos).
O arquitecto é alguém que entra na profissão em perda, pela miragem de uma prática acessível a muito poucos, pela despreocupação relativamente à sua actividade enquanto carreira, pela falta de coesão corporativa, pela fragilidade da sua relação com os outros agentes do mercado, pelo desencontro entre a sua prática cultural e a sua prática produtiva, pela precaridade da sua consciência de si mesmo.
A possibilidade de construção de sentidos, de participação de espaços de partilha e de proposição, ou seja, o prazer que pensamos poder retirar da profissão que escolhemos, não serão portanto mais do que uma inócua vendetta.
Licenciada em Arquitectura pelo IUAVenezia, 1996, M.Arch., Berlage Institute Amsterdam, 1998.
Iniciou a carreira profissional na Holanda, colaborou com o Atelier Zaha Hadid Architects desde (Terminus Hoehheim Nord em Estrasburgo, 1999; projecto do Masterplan One-North/ Jurong Town Corporation, Singapura, 2001)
Desde 2002, é assistente no Institute for Housing and Design, Technische Universität Wien, e sócia do Atelier SHARE Architects, Viena.
Nuno Miguel Feio Ribeiro Mateus, Castelo Branco 1961. Licenciado pela FAUTL 1984, Master of Science em “Architecture and Building Design” / Columbia University, NY, 1987. Colaborou no atelier de Peter Eisenman, Nova Iorque, entre 1987 e 1991 e no atelier de Daniel Liebeskind, Berlim em 1991. Fundou a ARX PORTUGAL ARQUITECTOS Lda. com José Mateus em 1990. Director do DA-UAL, Professor convidado na UIC-ESARQ BCN em 2006, e no “Foro 2005″ UIC-ESARQ BCN, Professor de “Projecto II” na UAL desde 2000, Orientador académico de Projecto VI - Tese Final na ESAP desde 1997, Professor convidado no College of Architecture/University of Houston e na Escola Superior de Artes Decorativas de Lisboa em 2000, Assistente de “Projecto IV” na FAUTL em 1984.
Porto, 1971. Licenciado pela FAUP em 1997, representante dos estudantes no Conselho Pedagógico, Presidente da Assembleia Geral de Estudantes e Presidente da Direcção da Associação de Estudantes da FAUP, bolseiro Leonardo enquanto estagiário no escritório de Carlos Ferrater (Barcelona, Espanha), bolseiro Erasmus na Escola de Arquitectura de Copenhaga. Entre 1997 a 1998 colaborou nos escritórios de Carlos Coelho e Pedro Balonas. Emigrante desde 1998, colaborou nos escritórios van Berkel & Bos (actual UNStudio) e Max.1 (actual MAXWAN).
Regressou em 1999 ao UNStudio, onde colabora como Senior Architect coordenando projectos como o Terminal de Transporte Público de Arnhem (Holanda) e o edifício multifuncional Ponte Parodi (Génova, Itália).
Paralelamente, participou no processo de certificação ISO da empresa e desenvolve processos de utilização integrada de software e ferramentas de software de suporte à projectação e à produção.
Porto, 1964. Licenciado em Direito pela Universidade Católica do Porto, 1992. Estagiou com o Dr. Leopoldo Mourão, integrando agora a sociedade de advogados L. Ferreira, C. Leão, C. Machado, L. Mourão, no Porto, sociedade que opera em diversas áreas do Direito Civil ou Administrativo. Integrou o Conselho Científico do curso de Pós Graduação em Urbanismo e Edificação da Universidade Católica do Porto, onde leccionou a cadeira de Licenciamento de Obras Particulares. Advogado avençado e assessor jurídico da OASRN desde 1994, onde presta apoio, entre outros assuntos, sobre: aplicação e interpretação dos regimes legais de licenciamento de obras, loteamentos urbanos e obras de urbanização; Empreitadas; Contratos de Seguros de Responsabilidade Civil; Questões suscitadas pelos procedimentos legislativos; Questões relacionadas com o conteúdo, exercício e defesa do direito de autor; Conflitos entre profissionais e entre profissionais e particulares, Formação dos Arquitectos estagiários.
Licenciado em Engenharia Mecânica pela FEUP em 1998. MBA - Executivo em Gestão pela EGE/ESADE em 2004. Exerceu Direcção de Obra até 2000, altura em que ingressou na Afassociados, passando a exercer funções de Direcção de Projecto. Participou como Gestor de Projecto e coordenador de Projectos multidisciplinares da Casa da Música, na fase de acabamentos e instalações (2003 a 2005), experiência decisiva para a conquista de uma visão mais abrangente da Profissão, adquirindo capacidades necessárias para encarar o Projecto numa perspectiva de foco seu resultado final e não apenas como uma componente em particular. Responsável pela área de Desenvolvimento Organizacional e Recursos Humanos da afaconsult e afaplan.
Licenciado em Filosofia pela FLUP, 1978. Curso Complementar de Ciências Pedagógicas. É historiador, professor universitário no ISCTE e comentador político. Participante activo, desde muito novo, em movimentos políticos de oposição ao anterior regime. Recolheu, classificou, organizou e estudou de forma sistemática documentação sobre a vida política portuguesa. Foi deputado pelo PSD durante três legislaturas, tendo sido líder parlamentar. Foi membro da Delegação da Assembleia da República à Assembleia da NATO e Presidente do Subcomité da Europa de Leste e da ex-URSS da Comissão Política da Assembleia do Atlântico Norte. Foi também Vice-Presidente do Instituto Luso-Árabe de Cooperação.
Foi Vice-Presidente do Parlamento Europeu entre 1999 e 2004. É colaborador regular da imprensa escrita e falada, actualmente é cronista do jornal “Público”, da revista “Sábado”, da TSF, é comentador político de televisão, em programas de grande audiência na SIC e SIC Notícias (”Quadratura do Círculo”). Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, em 2005. É autor do blog “Abrupto” e da obra “Estudos sobre o Comunismo e Álvaro Cunhal - Uma Biografia Política”.
Assinalou-se a rentrée na última terça dia 11, com uma série de cinco apresentações em torno de projectos eminentemente públicos (com a excepção de Joana Restivo e Filipe Moreira da Silva), em distintos universos formais. Desde a procura de imagens para a reconfiguração de territórios ex-periféricos a partir da recusa de imagens pré-configuradas na apresentação do NPK, à procura da inversão da lógica do espaço público recluindo aquilo que á normalmente aberto na proposta para Prima Porta em Roma do [I]DA. Da procura de construção de um sentido urbano na proposta de habitação social de Benjamin Bancel e Nuno Abrantes em Campanhã longe de uma procura de rentabilização “alojadora” típica destas circunstâncias, à desmonumentalização como imagem pública (ou pelo menos, acima do chão) da proposta para o Tsunami Memorial de André Campos, verifica-se um desejo de abordar a arquitectura como facto público, apontando diversas possibilidades que vão da inclusão à reclusão, procurando os universos formais que lhes correspondem. Se por um lado é previsível, por continuidade com uma tradição local em construção, a permanência de uma linguagem moderna em cruzamento com estéticas de redução, construtora de objectos singulares e formais, por outro a necessidade de nos reequacionarmos com ou perante o mundo, revela uma inquietação que poderá ser vital para a sobrevivência da arquitectura que se faz por aqui. Talvez a tensão que resulte de diferentes tendências em confronto construa um espaço urbano mais complexo e mais qualificado. Pelo menos, pela evidente demonstração de consciência da articulação entre opções programáticas ou conceptuais (termo demasiado em voga) e a sua correspondência em linguagem e imagem no contexto das propostas para espaço público, as apresentações que vimos deixam-nos boas expectativas.
Reflectir sobre o espaço da periferia como um lugar de transitoriedade, hibridez e indefinição foi o ponto de partida para a apresentação do NPK. A visão destes espaços a partir da diluição da dicotomia centro/periferia tem sido um terreno fértil para a possibilidade de um pensamento autónomo, constituindo possibilidades de libertação da construção do território a partir da estrutura dos seus pólos consolidados. A instabilidade de malhas territoriais construídas por pulsões mais do que por programas, começa agora a ser confrontada com a necessidade de encontrar nelas texturas que permitam organizar corpos coerentes que possamos identificar como estruturas urbanas. A apresentação do projecto para o Parque Linear da Ribeira das Jardas inicia-se pela identificação na área central do Cacém dos elementos passíveis de identificarem indícios sobre o território, desde já a ribeira que deixa de ser canalizada reencontrando um leito e originando um sistema de controlo de cheias que formalmente organiza o parque. Os caminhos e ligações que lhe conferem a participação no conjunto urbano, e as áreas orgânicas que garantirão a sustentabilidade e participação do/no parque. A imagem do espaço resultante torna-se assim consequência das operações efectuadas para garantir a sua existência e sobrevivência, incorporando mecanismos de desenho voluntariamente distantes de qualquer formulação prévia, afirmando ainda uma diluição de relações figura-fundo. A forma não se destaca nem se afirma pela demarcação entre natural e artificial ou entre terra e matéria construída, todo o espaço se constitui como um espaço outro. Este posicionamento, próximo do que Àbalos&Herreros afirmam em “Ecomonumentalidad”, propõe a inversão entre natural e artificial, ou edifício e natureza, considerando a paisagem, num sentido genérico, como objecto de trabalho, e o espaço da renegociação da contemporaneidade em arquitectura com o seu passado. A actuação sobre áreas periféricas, zonas de impunidade passíveis de se constituírem como espaços de regeneração, tornam-se então na promessa de salvação de uma disciplina exaurida pela saturação dos discursos em torno dos centros urbanos, disciplinares e demarcadores, como se um tal desejo de inclusão pudesse constituir o espírito do tempo que vivemos.
A apresentação de Nuno Abrantes descreveu a sua prática profissional, desde a sua formação, em torno de quatro projectos de génese distinta: um conjunto habitacional em Campanhã, no Porto, decorrente de um concurso Europan; o Centro de Dia em Mangualde resulta de uma encomenda directa ainda enquanto estudante; a Sub-Estação do Parque Eólico do Outeiro em Vila Real e a Casa em Gent são encomendas com a actividade profissional já estabelecida. O conjunto de obras configura um universo resultante do conjunto de experiências vivido por Nuno Abrantes. Sente-se a sombra tutelar de Siza (com quem trabalhou durante três anos) no Centro de Dia ou na casa em Gent, sente-se também a presença do imaginário moderno na assunção do gesto heróico, singular e redentor, na proposta de praças com torres de habitação em Campanhã, tão comum em alguma da melhor arquitectura brasileira com a qual contacta na sua passagem pelo atelier de Paulo Mendes da Rocha. Entre a vocação eminentemente pública do projecto para Campanhã, construído a partir duma articulação topográfica de praças que pretendem atribuir a uma zona excluída da cidade uma participação digna, e a afirmação potente da proposta para o parque eólico do Outeiro, uma enorme caixa de vidro disposta de forma quase displicente entre dois volumes opacos assimétricos, que, sobre a paisagem, expõe o coração mecânico da sub-estação, monumentalizando-o, encontramos indícios suficientes de um espaço autónomo aparentemente livre de mimetismos. Encontramos também uma mistura eminentemente afectiva de referências que procuram, no critério das escolhas, o espaço para a afirmação de um percurso sobretudo preocupado num doseamento correcto de circunstâncias várias em contextos específicos. Parece que começa a ser possível trabalhar explicitamente a partir do espaço definido por Álvaro Siza sem se referir exclusivamente ao seu universo formal. Poderá a apresentação de Nuno Abrantes significar que as gerações mais recentes tiraram Siza do templo? Parece-me que por aqui está-se muito mais próximo de fazer escola do que no persistente esforço de doutrinação a que em tempos éramos submetidos. Ou seja, é no espaço da metodologia, da postura ética perante o projecto e perante a cultura da arquitectura que a contribuição de Siza é mais capaz de gerar universos que perdurem para além da sua existência física, destinada a tornar-se memória.
Rápida e expedita a apresentação do [I]da, concentrada nas propostas para o concurso para a Prima Porta em Roma. O projecto é apresentado como um ensaio em torno da introversão, considerando uma inversão da lógica normal que atribuímos aos espaços públicos. Reivindicando uma oposição à topografia do lugar como matéria de projecto propõe-se uma concentração sobre a forma dos espaços como sustento de um posicionamento que recusa a espectacularidade e mediatização do espaço público. Uma introversão como possibilidade de relacionamento com o outro. Estamos aqui perante a radicalização duma ideia de ordem que, reflectindo um pouco, nos põe perante uma atitude não distante das propostas de Aldo Rossi ou Giorgio Grassi, mas alterando profundamente o sistema formal. Assim, onde encontrávamos uma linguagem que procurou cruzar a modernidade ortodoxa de Hilberseimer com referentes clássicos e utopias iluministas (uma espécie de revisão genealógica para uma possível tratadística modernista), vemos agora um desejo de recuperação dessa herança (relembro as propostas para centros directores na Itália dos anos 60, um dos mais exemplares a proposta para Turim de Aldo Rossi sobre o lema La Locomotiva) actualizado com a incorporação de alguns minimalismos americanos, sobretudo Donald Judd. A proposta para o infantário segue pressupostos semelhantes trabalhando uma fragmentação que não deixa nunca de se referir à totalidade que, em nenhum momento, se afasta duma ideia de ordem, de recusa da relatividade contemporânea.
Estas propostas, afirmações de reclusão e de recusa do espectáculo da contemporaneidade, constróem a possibilidade de um discurso moral sobre a arquitectura nas cidades que necessita da mediatização como espaço de afirmação e, simultaneamente, tem o media como seu referente contínuo, uma pescada de rabo na boca que Rossi nunca conseguiu resolver, e que o [I]da elude através da monumentalidade da experiência contemplativa da matéria à escala urbana. De facto, não deixa de ser tentador imaginar Hilberseimer em Marfa.
A apresentação de Joana Restivo e Filipe Moreira da Silva decorreu em torno da proposta para um edifício na Rua de Trás em pleno centro histórico do Porto. O projecto, resultante de um concurso, põe-nos perante a necessidade de reocupação do centro histórico e da definição do perfil dos seus possíveis (re)ocupantes, e põe-nos perante três problemas de natureza distinta. O primeiro – real – decorre da dificuldade de adaptar uma textura urbana medieval, apertada, e com dificuldade em sofrer mais uma transmutação agora dependente de critérios sobretudo decorrentes de factores de mobilidade, ou seja, como ocupar a rua direita com carros. O segundo – circunstancial – questiona-nos como preservar uma identidade que condense numa imagem cinco séculos de tempos e imagens distintas, de forma a que possam viver pessoas por detrás das fachadas que constróem o potencial turístico de uma cidade-património. O terceiro – vivencial – obriga-nos a propor tipologias que respondam às expectativas que o comum habitante das cidades espera. O projecto para a Rua de Trás procura uma resposta literal a cada uma das questões postas. O piso térreo aberto possibilita a existência do automóvel na mesma medida em que aceita a sua extinção. A imagem do edifício constitui uma mediação entre a imagem da rua e a vida por detrás das fachadas-património. A tipologia utilizada corresponde ao que é expectável como forma de vida na contemporaneidade, construir espaços fluídos e dinâmicos, sedutores e gratificantes. Uma segunda versão, mais desigual, resolve com maior dificuldade a adaptação ao necessário estacionamento, tirando menos partido da flexibilidade do interior do lote enquanto possibilidade de espaço de partilha, no entanto, liberta-se de alguma rigidez diagramática da tipologia conformando-a às potencialidades do espaço existente.
Não procurando sair deste registo comum, procurando o bem fazer, o projecto para a Rua de Trás responde a uma elementaridade de que a arquitectura facilmente se esquece: sem retórica, ser eficaz.
André Campos evidenciou na sua apresentação os paralelismos e sobreposições entre os seus trabalhos pessoais e a sua experiência como colaborador de Eduardo Souto Moura. Ao contrário de Guilherme Machado Vaz (conferências de 5 de Junho) com quem partilhou essa experiência, nota-se uma menor vontade de construir a partir daí um espaço autónomo, incorporando na obra apresentada não só o universo formal, como alguma da metodologia de trabalho. O desejo de cruzar formulações prévias ao projecto com temas que se convocam (mais ou menos exteriores à pratica disciplinar estrita), como confrontação ou teste dessa formulação, é visível no recurso a Chillida ou à capa de um livro de Benevolo para resolver a proposta para o Tsunami Memorial que se queria de antemão enterrado, matérico e monumentalizado pela acção da luz. Ou na proposta para o café em Matosinhos onde André Campos se socorre das referências que lhe estão próximas (loja de molduras Rui Alberto de ESM, livraria Almedina de Aires Mateus, e mais tarde os bares do Metro do Porto, que acompanhou), quase como se através das ocasiões que se vão propondo, se vá testando em circunstâncias novas, propostas anteriores, ou seja construir pelas próprias mãos projectos outros. Este processo não deixa de recordar a revisão que Gus van Sant faz de Psycho, em que mais do que um remake, propõe-se refazer o filme fotograma a fotograma, re-experienciando-o. O projecto para a casa na Maia (em grau semelhante nas propostas de requalificação da Escola Primária de Ponte da Barca, e nas escolas da Amadora), propõe uma deslocação progressiva para territórios próximos de alguma arquitectura suíça, na preferência por volumetrias rotundas e monolíticas, motivadas sempre por um desejo de ordem, procurando inscrever-se numa tradição europeia de arquitecturas silenciosas, ainda em construção.
Atelier fundado por José Veludo e Leonor Cheis em 1999, aos quais se associou José Lousan, em 2002. José Veludo, Leiria,1968. Licenciado em arquitectura paisagista pelo ISA-UTL 1996, colaborou com o Arqt.º Paisagista Luís Cabral. José Lousan, Porto, 1965. Licenciado em arquitectura paisagista pelo ISA-UTL 1996, colaborou com Arqtº Paisagista João Ceregeiro. Leonor Cheis, Lisboa, 1968. Licenciada em arquitectura paisagista pela Universidade de Évora, 1997, Bolseira do Programa Comett , 1991. Estagiou com Christophe Girot [Atelier Phusis, Paris] e colaborou com Arqtª Paisagista Isabel Teixeira Diniz e Arqtº Paisagista João Gomes da Silva.
Têm desenvolvido em co-autoria trabalhos na área de projecto, planeamento urbano e ordenamento da paisagem. Entre os trabalhos efectuados nos últimos anos destacam-se: Farecentro a Romanina – Schema di assetto preliminare per la Nuova Centralità Metropolitana - Coordenação Geral: RISCO, S.A. – Arqt.º Manuel Salgado; Projecto do Parque da Encosta do Castelo de Leiria; Projecto do Parque Linear do Rio Pavia em Viseu; Projecto do Parque Linear da Ribeira das Jardas no Cacém; Projecto do Parque Ribeirinho de Samora Correia; Projecto do Parque Ribeirinho de Benavente; Projecto de Requalificação da Paisagem - Outurela / Portela.
Porto, 1976. Licenciado pela FAUP 2000, em 98 estudou na FAUUSão Paulo. Foi Monitor de Projecto 3 na FAUP em 1999/00. Em 2003/04 fez o curso de pós-graduação em reabilitação do património edificado na FEUP, desenvolve actualmente dissertação de Mestrado sobre a requalificação de habitação a custos controlados, tendo como caso de estudo a urbanização “Vila de Este” em Vila Nova de Gaia. Estagiou com o arquitecto Paulo Mendes da Rocha no Brasil, 1999. Colaborou com o arquitecto Álvaro Siza Vieira de 2000 a 2003.
1º Prémio no Concurso Internacional EUROPAN6 para a cidade do Porto, 2001 (em co-autoria com Benjamim Bancel), a construção das 130 habitações, pela Refer, deverá começar no final de 2007. Iniciou em 2003 actividade como profissional liberal. 1º Prémio no Concurso Sache ( em co-autoria com Rodrigo Brito) 2006, com o projecto de reabilitação de um prédio classificado, maioritariamente de habitação, no Porto.
Atelier formado por Ivan de Sousa e Inês Antunes, ambos licenciados pela Faculdade de Arquitectura do Politécnico de Milão em 2002, com tese orientadas por Remo Dorigati e Manuel Graça Dias. Ivan estagiou com o Arq. Massimiliano Fuksas, e colaborou com o Arq. Nicola Di Battista onde realizou diversos projectos em co-autoria. Inês colaborou com RicciSpaini e actualmente lecciona na Universidade Moderna de Lisboa. Actualmente dividem a sua actividade entre Lisboa e Roma onde desenvolvem projectos de arquitectura e de investigação. As suas obras e projectos estiveram presentes em várias exposições e publicações nacionais e internacionais.
Joana Restivo, Londres, 1978. Licenciado pela FAUP 2003, bolseira do programa Erasmus 00-01, IUAV, Veneza. Recebeu em 2003 Prémio de Mérito Rotary Clube Porto-Douro/FAUP e em 2004 o Prémio Arq. Ricardo G. Spratley e o Prémio Eng. António de Almeida. Colaborou em Junho de 1999 com o Gabinete de Arquitectura Loureiro e Pádua, estagiou com o arq. Eduardo Souto de Moura entre 2001 e 2002, e colaborou com o arq. Nuno Brandão Costa, de 2004 a 2007. Desenvolveu em co-autoria com Vasco Melo o projecto de uma habitação em Bragança 1999, obra concluída em 2002.
Filipe Moreira da Silva, Porto, 1977. Licenciado pela Faup em 2005, frequentou os 3 primeiros anos do curso no Darq-FCTUCoimbra. Frequenta o curso de pós-graduação em Construção de Edifícios na FEUP, 06/07.
Colaborou em 2000 com o arq. Castro Ribeiro, em 2001 com o gabinete de arquitectura RISCO. Estagiou no gabinete de arquitectura RISCO/Manuel Salgado, sob orientação do Arqt.º Manuel Salgado e da Arqt.ª Joana Pinheiro, entre 2003 e 2004. Colaborou com o arq. José Paulo dos Santos entre 2005 e 2007.
Juntos desenvolveram em 2005 estudo prévio para uma habitação no Passeio Alegre, Porto; em 2006/07 trabalho de consultadoria de arquitectura (diagnóstico, projecto de execução) para a empresa Prof. Eng.º Vasco Peixoto de Freitas Lda, relativamente ao Projecto de Reabilitação do Bairro de Pevidém em Guimarães (IGAPHE). Venceram em 2007 o 1º Prémio no Concurso, por convite, de Ideias “SACHE – a Baixa do Porto”, Unidade 2: Edifício na Rua de Trás.
André de França e Campos, (Porto, 1977) é licenciado em Arquitectura pela FAUP, Faculdade de Arquitectura Universidade do Porto, em 2005.
Entre 1999 e 2002 colabora em diversos ateliers de arquitectura.
Desde 2002 colabora no escritório do Arq. Eduardo Souto de Moura.
Em 2002 inicia actividade em escritório próprio com a Arq. Joana Mendes.
Dos seus trabalhos destacam-se diversos concursos nacionais e internacionais e diversas obras particulares.
Sessão heterogénea a de 24 de Julho, cuja digestão foi brutalmente interrompida pela emergência da vilegiatura. Será, portanto, a digestão mais longa de todas as sessões, ainda que pontilhada pela doce nostalgia dos fins de tarde quentes e pela sazonal memória dos aromas de côco destilado pelos bronzeadores. O Auzproject evidenciou o exercício de uma prática, frequentemente irónica, em torno do que se poderia considerar o negativo das cidades, ou seja, através de intervenções de pequena escala torna-se visível aquilo que nas cidades não vemos (ou não desejamos ver), num conjunto de intervenções politizadas e críticas das visões macroeconómicas das políticas urbanas. Em contraste, a apresentação de Rui Mendes recluiu-se numa procura de vestígios significantes capazes de produzir um sentido eminentemente poético para as suas obras. A casa de Beja, quase esquelética, propõe uma ascese do habitar tão importante como a sua existência como acontecimento formal, e a proposta para o Centro de Informação Urbana de Cascais dilui o potencial do edifício público enquanto imagem num reconhecimento da morfologia das estruturas pré-existentes como possibilidade de presente e de futuro para aquele edifício.
André Fernandes apresenta uma opção ainda não vista neste ciclo, a do arquitecto como empreendedor. Deslocando a prática arquitectónica do seu espaço disciplinar estrito a discussão em torno dos projectos apresentados poder-se-á fazer no espaço prévio à encomenda, no espaço económico que realmente configura as possibilidades para a arquitectura e que frequentemente faz da arquitectura refém. A apresentação de João Quintão em torno do trabalho por si desenvolvido na Câmara de Matosinhos nas Áreas Urbanas de Génese Ilegal reflecte também condições prévias ao exercício de arquitectura (embora também possam ser perigosamente póstumas), vistas aqui como o estabelecimento de condições mínimas de urbanidade, a partir do entendimento de espaços de comunidade que permitam que a expectativa em relação à arquitectura possa ser um bem necessário. Não tão distante do espaço reclamado por André Fernandes, portanto.
Temos assistido ao longo destas sessões a apresentações de um contingente numeroso de arquitectos cujo tema primordial de trabalho constitui-se sobre uma discussão ideológica em torno das políticas públicas e privadas de intervenção na cidade. Cruzam-se aqui dois processos de intenção de natureza distinta, por um lado uma insatisfação relativamente à capacidade de intervenção pública do panorama da arquitectura, por outro uma evidente repercussão mediática que propostas que cruzam campos que extrapolam o domínio estrito da arquitectura como as artes plásticas, o design ou o paisagismo, têm conseguido sobretudo pela sua capacidade comunicativa. A apresentação do Auz Projekt insere-se neste espaço, misturando com ironia o kitsch com referências à herança moderna e procedimentos artísticos que derivam da politização estética pós-68. Assim, encontramos na Social Urban Structure e no Street Pavillion propostas que circundam o universo de Krzysztof Wodyckzo (já presente noutras intervenções), ainda que visto a partir de uma motivação disciplinar (exemplar a imagem que cruza a sua intervenção com uma praça imaginária onde coexistem pedaços distorcidos de Coderch, Gehry ou Meier). A Casa para Todos reutiliza o contentor como módulo para uma proposta de habitação acessível posicionando-se junto de Lacaton&Vassal e Àbalos&Herreros numa reactivação politizada da herança dos Eames, e o Serviço de Férias Obrigatório recorda-nos uma intervenção do West 8 no NAI. Estas referências são, no entanto, convocadas numa agenda autónoma, pretendendo assegurar a presença num patamar de discussão com termos próprios, sendo disso evidência a proposta para Investimentos Imobiliários de Intervenção, propondo o objecto de que Matta-Clark nunca dispôs deslocando o seu significado. A estranheza com que se observa através da moldura kitsch de uma televisão de outro tempo o Tsunami Memorial, revela-nos a ambivalência com que a ironia utilizada permite observar a celebração espectacular de um acontecimento trágico com um edifício austero, imponente na sua escala e diagramático na sua organização. Não distante, enquanto imagem, de propostas que nos fomos habituando a ver em Herzog&deMeuron, Peter Zumthor ou em algumas das suas derivações. Estão os Auz Projekt a derivar da ironia para o cinismo?
A apresentação de Rui Mendes conteve a curiosidade mórbida de assistir ao discurso sobre a Casa de Santa Vitória em Beja. Como comentar uma obra tão rarefeita e tão rotunda?
A casa foi apresentada como uma coisa natural, quase evidente, resistindo à tentação do discurso conceptual com a descrição da sua materialização formal. A casa é apresentada como uma resposta eficaz a um programa, um orçamento e um enquadramento. A distensão da implantação é uma consequência da sua localização entre lotes de rua a rua, e as casas dentro da casa-continente uma característica local. A rudeza dos materiais releva da intenção de actualizar as técnicas de construção locais, e do entendimento do parco orçamento como um factor de potenciação do projecto. A opção de não intervenção sobre a fachada para a rua principal (ou de intervenção mínima) encontra-se como desejo de não dissociar a casa do conjunto onde se insere. Fica a enorme expectativa de se saber porque se optou pela ambivalência e não hierarquização dos espaços interiores e exteriores, sobre a monumentalização (e desenraizamento) do módulo da cozinha e dos equipamentos fixos sobre o espaço, e sobre a uniformidade, ou não diferenciação dos materiais utilizados. Talvez em “Federación de textos de distinta longitud, hostiles a la esencia vacía del arte moderno” de Josep Quetglas encontremos na abordagem que propõe ao minimalismo não como essência vazia mas como reclamação de um espaço de autonomia e de exclusão, a resolução ou a permanência da expectativa.
O projecto para o Centro de Informação Urbana de Cascais encontra no reconhecimento da morfologia dos edifícios existentes o sentido da intervenção. É curioso verificar nas diferenças existentes relativamente à proposta dos SAMI para o mesmo concurso distintas considerações sobre a imagem de um edifício público ainda que em ambas não esteja em causa a sua evidente autonomia. A recuperação das abóbadas existentes no edifício não procura continuidades na volumetria do edifício resultando daí um edifício híbrido, fazendo nele coexistirem as infraestruturas, acessos e espaços acessórios no interior das paredes e remetendo funções privadas para o piso superior. A zona pública recusando uma espacialidade multiusos tende para a especificidade dos usos resolvendo-se à cota da praça. Daqui resulta uma espécie de condensado de memórias, não diferenciando de forma evidente passado e presente, sob uma volumetria massiva, assinalando uma voluntária descapacidade de assumir um tempo contemporâneo diferenciado.
Contida a curiosidade mórbida resta-nos apenas alguma concupiscência.
André Fernandes apresentou três projectos sendo um deles uma encomenda clássica (com um cliente prévio) e os outros dois auto-encomendas, ou seja o arquitecto é simultaneamente cliente. O edifício de escritórios Campo Alegre está num dos mais descontrolados bocados de cidade que podemos ver no Porto. Com atenção notaremos que, com alguma sistematicidade, encontramos estes nódulos caóticos no encontro entre entradas/saídas de cidade, interfaces com transporte rápido, persistência de pequenos aglomerados rurais e quintas de alguma dimensão, tudo ao mesmo tempo. O projecto é apresentado como uma tentativa para tornar congruentes entre si todas esta circunstâncias construindo um biombo formado por planos capazes de as articular. Esta relação pele-volume define também a imagem do edifício, ainda que no resultado final o corpo em cunha não perca a sua característica volumétrica mitigando a ideia de leveza que se pretendeu dar ao edifício. Procurar integrar a diversidade existente, mesmo sendo medíocre, contém uma generosidade que não é habitual, não cedendo à tentação do edifício mudo, resistente às relações que se possam estabelecer com o seu entorno, afirmando a sua autonomia estética como um factor de sobrevivência.
A Casa Fulão e as Casas em Serralves correspondem a uma prática em auto-encomenda. Aqui seria interessante mais do que percorrer os projectos, olhá-los sob as suas circunstâncias. Ambos são apresentados como imagens impactantes. Na Casa Fulão a imagem provocada pelo jogo de planos e luz, leves na paisagem, compõem a antecipação de um lifestyle hedonista (que por curiosidade começa por ser proposta como casa de férias e é convertida em casa permanente praticamente sem alterações), nas Casas em Serralves a imagem do projecto, mais do que o interior das habitações ou os seus espaços exteriores, é feita pela rua interior de acesso, arriscando a sobreposição com a genealogia da galeria coberta (Vittorio Emmanuelle em Milão) como forma de antecipar uma vez mais a socialização que se organizará naquele espaço como o trunfo do projecto. Torna-se interessante verificar que não fugindo à cultura da imagem que caracteriza a promoção imobiliária (e não só) aqui o que se propõe não é a objetualização da arquitectura como mais valia, mas a utilização de um conhecimento que lhe é específico, a investigação tipológica como possibilidade de diferenciação, discutindo e configurando formas de socialização a montante do projecto de arquitectura. No mercado será sempre de diferenciação que estamos a falar.
João Quintão confrontou-nos com um facto assustador, 35000 pessoas vivem em Áreas Urbanas de Génese Ilegal em Matosinhos, sem acesso ou com acesso dificultado aos mais elementares direitos que um urbanismo qualificado pode possibilitar. A apresentação que fez, uma descrição dos processos de legitimação legal destas áreas, revela-nos a vida no grau zero de arquitectura. Enquanto a minimalismos como exclusão estamos aqui conversados. A lenta e morosa duração destes processos corresponde à aprendizagem sobre o território dos procedimentos do que é viver uma sociedade democrática, do que é organizar-se socialmente e constituir-se enquanto comunidade. É evidente que seria interessante observar como são estes territórios como forma, ou qual é o espaço da arquitectura no seu grau zero, ou ainda que expectativa existe para a arquitectura em semelhantes circunstâncias. De qualquer maneira é a primeira vez que nestas conferências se discute arquitectura como acto primordial, longe do carácter de excepção que vai sustentando as práticas que testemunhamos quotidianamente. Dificilmente não nos lembramos dos SAAL e de toda a heroicidade do pós-74 quando contemplamos o que resta dele nas AUGI, longe de qualquer euforia mediática, de “desejo colectivo de mudança”, e longe de qualquer construção identitária que se faça pelo lado da cidadania.
Jorge Manuel da Silva Lapa, Vila do Conde 1977. Licenciado pela FAUP 2002, bolseiro Erasmus na FAU Federico II, Nápoles, 00/01. Estagiou no no gabinete de arquitectura J.J. Silva Garcia 00/01. José Mário Vieira Lopes Macedo, Póvoa de Varzim 1977. Licenciado pela FAUP 2001, bolseiro Erasmus na FAU Federico II, Nápoles, 99/00. Estagiou no CEFA-UP 00/01. Colabora desde 2000 no Atelier 15, Porto. Pedro Flores Alves dos Santos, Coimbra 1977. Licenciado pela FAUP 2001, bolseiro Erasmus na ETSABarcelona UPC, 99/00. Estagiou no no gabinete de arquitectura J.J. Silva Garcia 00/01. Fundado em 2003, Auz Projekt tem participado activamente em diversos concursos de arquitectura: 1º Prémio Tektónica-Emergências 03; semi-Finalista na e-competion: POSSIBLE FUTURES Bienal Miami + Beach 2003, com “AUZ – reconstructing social utopia in the networks of a generic city”; Menção Honrosa no PeepShow 2004, Artcity, Calgary, com o projecto X.O.U.; Seleccionado para representar Portugal na ”Celebration of Cities” Internacional Consultation, na Categoria Profissional, UIA, 2004; Menção Honrosa no “Memorial Tsunami Competion”-Tailândia, 2006; Trabalho seleccionado no Concurso de Ideias “Intervenções na Cidade – TAL” 2007. Para além das exposições associadas aos concursos, o seu trabalho foi também exposto na “ARQ:MANIF”, Palácio Nacional da Ajuda, 2004; “Tracing Portugal-Emergent Architectural Scene”, Architectural Association School of Architecture, Londres 2004; “NIB+ICAR travelling exhibition + NPB - Concursos: êxito e ilusão”, Sede da OA, 2006. Tem neste momento em execução o projecto de uma casa em Labruge, e um Conjunto habitacional em Vizela.
Lisboa 1973.Arquitecto pela Universidade Lusíada de Lisboa, 1991-1996.
Inicia actividade com o arq. Mateus Lorena em Lisboa 1997.
Colabora com o ateleir José Adrião&Pedro Pacheco 2000-2001 e com os arquitectos Fernando Martins e João Santa Rita em 2001.
Divide actualmente a actividade de arquitectura em atelier próprio, desde 2002, com o comissariado de exposições e debates de arquitectura.
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André Cunha Fernandes, Porto, 1972. Licenciado pela FAUP 1996, bolseiro do programa Erasmus 95-96, IUAV, Veneza. Bolseiro de estágio NORTEC na empresa Ola Kibsgaard-Petersen, Noruega 1995. Enquanto estudante, foi Membro da AEFAUP na qual participou na organização de exposições, edições de livros e outras actividades de carácter cultural. Desde 1995, colaborou com o Arq. Manuel Correia Fernandes, é perito de tribunal em casos de litígio e sócio-fundador e gerente da empresa Manuel Correia Fernandes, Arquitecto e Associados, Lda., onde tem desenvolvido sozinho ou em co-autoria com Manuel Correia Fernandes diversas casas no Porto, Moledo, Vila Nova de Cerveira, Vinhais e Amarante, a recuperação e remodelação do Antigo Hotel da Granja em S.Félix da Marinha, Edifícios de escritórios e serviços em Gondarém e no Campo Alegre e o consultório Dr. Carlos Falcão.
Porto, 1969. Licenciado pela Faup 1995, bolseiro ERASMUS na ETSABarcelona 94/95. Especialização em Planeamento e Projecto do Ambiente Urbano em 2004/05. Estágiou no CEFA UP 1993/94. Colaborou com os Arquitectos Luís Miranda e Paula Petiz entre 1989/96, com Atelier 15, entre 1995/96. Autor, desde 1996, de vários projectos de habitações unifamiliares e edifícios públicos, onde se salienta o Agro -Turismo Herdade do Barrocal de Baixo. Coordenou o GTL do Crato e elaborou o Plano de Pormenor dos Centros Históricos do Crato e Flor da Rosa entre 1996/1998. Arquitecto Municipal na Câmara Municipal de Matosinhos no Departamento de gestão Urbanística - Divisão de Solos, desde 1999. Dirige, desde 2006, o projecto de reconversão das Áreas Urbanas de Génese Ilegal - AUGI - de Matosinhos, elaborando paralelamente o Plano de Pormenor dos Paus, de reconversão de uma AUGI.
Os dois projectos apresentados pelo Atelier Central, um infantário em Bicesse e uma casa em Azeitão, revelam um interesse manifesto pelo uso dos materiais como instrumento primordial do que cada uma das obras nos comunica. De tal forma que o enunciado de uma modulação Lego no infantário ou “uma casa que pareça uma casa” em Azeitão torna-se o registo da sua filtragem por um desejo de que a matéria, pela acção da luz e do tempo, concentre o lugar da arquitectura. Esta tensão entre um espaço de afirmação gráfica e um espaço de concretização matérico, coloca estes dois trabalhos do Atelier Central entre o minimalismo em escultura e o brutalismo em arquitectura (ainda que não seja evidente a ética de redução que vemos em Aldo van Eyck ou nos Smithsons, a vontade de “deixar os materiais falarem” é visível). Poderíamos estar a falar de um universo de Herzog&DeMeuron (dos vários projectos para a Ricola à casa Koechlin), domesticados pelo jogo de massas que encontramos no sul de Portugal, visíveis nalgumas obras de Gonçalo Byrne e João Pedro Falcão de Campos (com quem trabalharam). A apresentação incluiu filmes da obra em vídeo, como se o caderno de encargos fosse um guião poético, comunicando-nos a obra como obra (nas suas várias fases), como um documentário comum da sua existência. As imagens da sua utilização, relatos em sobre-exposição de luz como encontraríamos num filme doméstico de super 8, remetem-nos de novo para a ideia do tempo sobre estas obras, da mesma forma que o betão usado na casa de Azeitão o faz, ou de tempos vividos em álbuns de memórias, em frozen frames. Não sobre a transitoriedade, mais excepção do que quotidiano portanto. Não deixa de ser interessante, no entanto, verificar que a apresentação do Atelier Central se posiciona sobre uma ideia de peso das coisas, sobre a sua perenidade, em oposição à ideia de leveza e de efemeridade de outras apresentações, evidência de que, mais do que clivagens geracionais ou regionais, já muito longe duma dicotomia entre a tradição e a novidade, todos representamos a complexidade do mundo, as suas contingências e as suas escolhas.
A apresentação de Roberto Cremascoli, Edison Okumura e Marta Rodrigues (COR) decorreu literalmente sob o signo de Alice no País das Maravilhas em versão disneyficada. O uso das figuras da versão em desenho animado do livro de Lewis Carroll introduziu um atelier resultante do encontro no Porto de um italiano, um “brasileiro disfarçado de japonês”, e uma portuguesa chegada de uma estadia em Paris. A imagem de uma praia do Rio com o Duomo de Milão, a torre dos Clérigos (em escala finalmente dignificada), e a torre Eiffel espreitando à distância, não seria desdenhada por Pedro Bandeira e serviu como um mote para um discurso sobre a mestiçagem e a deslocação no panorama contemporâneo da arquitectura. A ideia de pertença e a ideia de identidade são aqui discutidas de forma inédita neste ciclo. Qual o lugar de um arquitecto italiano a trabalhar em Portugal? Qual o lugar de um arquitecto brasileiro de ascendência nipónica com um escritório no Porto? E o que faz uma arquitecta portuense neste united colours da arquitectura? Este lugar que se pretende identitário terá começado por ser o escritório de Álvaro Siza Vieira e a ideia de um lugar no mundo para a arquitectura portuguesa, ideia em contra-ciclo ao que habitualmente associamos à globalização, a possibilidade de um lugar periférico constituir-se como emissor para o mundo. Esta identidade de ideias ou de visões de e para o mundo, é um facto de que raramente nos apercebemos verdadeiramente e posiciona-nos perante uma possibilidade de centralidade da qual teremos de ganhar consciência e à qual teremos de dar consistência. O problema seguinte é como incorporarmos presenças distintas que se reúnem por reconhecimento e empatia dessa identidade, e como poderemos fazê-la evoluir sem fazer dela doutrina.
A apresentação do COR centrou-se sobre o processo da obra de requalificação da Praça Garibaldi em Cantú, próximo de Milão. O projecto constitui em si mesmo um relato da deslocação de ideias na contemporaneidade. Uma praça dura e topográfica, já em si um cruzamento da história de espaços públicos espanhóis (da praça do recinto medieval à praça Mayor), e italianos (impossível não nos lembrarmos de Siena), incorporado no léxico portuense recente inquieto por se livrar do romantismo do jardim inglês dominante (ainda se lembram?), é finalmente devolvido a Itália. A contestação é dura e o interlocutor um italiano estrangeirado. Este relato, evidência da esquizofrénica busca de identidade dos centros históricos europeus, evidencia na comunicação de Roberto Cremascoli, a dificuldade que experimentamos em distinguirmos sinais e conteúdos, em percebermos a verdadeira profundidade do nosso umbigo no meio de tantos piercings etno-qualquer-coisa. A obra final, onde somos conduzidos por um discurso progressivamente concentrado na possível impossibilidade do seu fecho, constitui-se como testemunha da dificuldade de se falar de arquitectura com tantos e tão diversos interlocutores, o espaço público tornou-se um lugar da dificuldade de comunicação da arquitectura e da dificuldade de reconhecimento da arquitectura.
A apresentação do Atelier MOB evidenciou de novo uma matriz deleuziana do espaço de trabalho como espaço de cruzamentos e ligações, ainda que centrado no trabalho do escritório como fonte, ou seja, como geratriz mais do que como nódulo. A diversidade de programas, escalas e lugares de intervenção é invocada como espaço dinâmico, não especializado e não persistente. O espaço do blog (www.arqmob.blogspot.com) é encarado como uma plataforma de comunicação e divulgação do trabalho no atelier, tornando natural um universo de trabalho atento à multiplicidade de oportunidades que este tipo de possibilidades disponibiliza (e não era nada mau pensarmos quantos gabinetes de arquitectura exploram em Portugal formas abertas de divulgação de trabalho e em idiomas distintos). Os projectos apresentados, uma proposta de dinamização das margens do Médio Tejo, um conjunto de intervenções na Congregação das Irmãs Dominicanas em Fátima e uma renovação de um apartamento na Zona Histórica em Lisboa revelam um conjunto de intervenções que privilegiam a precisão pontual mais do que delimitação de universos construtores de possíveis totalidades. O projecto para o concurso internacional de ideias para o novo Palácio de Justiça de Paris constitui-se, no entanto, como um proposta de sentido. A procura da dimensão política de tal edifício como núcleo do projecto, ainda que corra o risco de confundir numa só dimensão os diferentes aspectos da representatividade do poder público, encontra na defesa da mestiçagem e da multiplicidade racial da França contemporânea uma possibilidade de cidadania sustentadora da imagem do edifício e do conjunto de relações que estabelece com o seu entorno urbano. Forçando uma relação de sobre-exposição de rituais urbanos entre espaços de desportos de rua e o quotidiano dum equipamento deste tipo corre-se o risco de alguma ingenuidade de processos mas, no limite, o reequacionar do que entendemos como estável será sempre uma reserva fértil das dinâmicas que mantêm vivas as cidades na contemporaneidade.
Pedro Jordão, fundador e primeiro director da revista NU, construiu, a partir de uma imagem do filme Dead Ringers, de David Cronenberg, um discurso em torno das possibilidades de espaço(s) para uma prática arquitectónica reflexiva. A imagem representa um Jeremy Irons em versão obsessiva face à imperfeição intolerável do corpo de Genevieve Bujold, e é apresentada como uma metáfora da incomunicabilidade da arquitectura (aqui entendida no contexto de um espaço académico e pouco permeável), e obcecada com o seu núcleo e com a sua história sempre que os ciclos da história lhe retiram representatividade. A revista NU é descrita como uma revista “pretensiosa”, decidida a ocupar um espaço não convencional em publicações portuguesas pela recusa em “mostrar projectos”, e incomodada com o preconceito português que insiste em ver a teoria como um campo estanque ao gesto construído, como um corpo estranho ao exercício estrito da arquitectura. A NU pretendeu-se então interrogativa, subjectiva e marginal. Esta manifestação de alguma rispidez (como um desejo de confronto) face a boa parte da comunidade, conservadora e “centralista” e com alguma dose de fobia à contaminação, cria uma ligação com a comunicação do COR, na necessidade de nos virmos a confrontar com os lugares da arquitectura portuguesa como espaços de confrontação entre distintas delimitações das suas identidades. De forma mais intuitiva do que programática talvez, a NU tem constituído um desses espaços, afinal recusar a teoria como um exercício descritivo alicerçado na história não é nem “uma falsa inocência” nem um “desejo de ingenuidade”, é um manifesto consciente e objectivo.
Susana Chiocca e Jorge Garcia Pereira disseram inequivocamente “let’s rock!” e incitaram a um levantamento de massas que inesperadamente e inexplicavelmente não aconteceu. A dieta, pelo que eu ouvi - tenho que confessar que fui um dos desistentes das 2 da manhã-, foi rock das mais diversas famílias eléctricas. Infelizmente o tal levantamento de massas não se verificou, nem ao som de dEUS e Young Gods (gostei da combinação, até pela relação mística) e os nossos dj’s não puderam fazer o crowd surf para o qual vinham preparados e artilhados, foi pena…
Roberto Cremascoli, Milão, 1968. Licenciado pelo Politécnico de Milão em 1994, bolseiro Erasmus FAUP 91/92. Entre 1995 e 2000 colaborou com o arq. Álvaro Siza, e em 2000 com o arq. João Luis Carrilho da Graça. Edison Yutaka Okumura, São Paulo, 1969. Licenciado pela FAU-UF Rio de Janeiro 93, frequentou a FAUP 92/93. Colaborou entre 90 e 91 no Rio de Janeiro com “Scorzelli e Ccamargo” e “TCPG”; entre 93 e 95 no departamento de Arquitectura da Sonae, Porto; e entre 95 e 2001 com o arq. Álvaro Siza. Marta Braga Rodrigues, Porto, 1970. Licenciada pela FAUP em 1995,bolseira Erasmus École d’Architecture Paris-la-Seine 94/95. Colaborou em 1995 e 96 com os arq. João Rapagão e César Fernandes; entre 97 e 99 com o arq. Manuel Fernandes de Sá; e em 2000 e 2001 com o arq. A. Burmester. Colaboram juntos desde 1999 e criaram em 2001 gabinete no Porto, desenvolvendo trabalhos em Portugal, Itália e França, dos quais destacam actualmente: o arranjo urbanístico da “ Piazza Garibaldi “ e zona envolvente, Cantu, Itália, 2007 (1º lugar em concurso público internacional, 2004); reabilitação do antigo Burgo Rural de “La Madeleine“ para turismo rural e unidade industrial,
Villefranche de Rouergue, Aveyron, França; centro Comercial e Parque urbano, Nápoles 2006. Participaram em diversos concursos, tendo obtido: Requalificação Urbanística da “Piazza 1º Ottobre“, Santa Maria Capua Vetere, Nápoles, 2006, 2º Lugar; Edifícios loteamento da Cerca, Estudo de fachadas, Marinha grande 2004, 1º Lugar; Biblioteca Municipal de Biella, Turim 2002, 2º lugar; Reabilitação do Edifício da Fábrica de resinagem da Marinha Grande 2000, 1º lugar; Centro de Ciências e Tecnologia do Mar, Matosinhos 99, 1º lugar; Sapataria “ GREENWOOD” Felgueiras, Portugal 2005, 1º Lugar; Loja “Jotex”, Porto 2004, 1º Lugar. Gabinete comissário do Projecto “Remade in Portugal“.
O atelier mob é uma plataforma de desenvolvimento de investigação, ideias e projectos na área da arquitectura, design e urbanismo, constituída em 2005, por Andreia Salavessa, Raquel Capelo, Nuno Carvalho e Tiago Mota Saraiva. Actualmente é constituído apenas pela Andreia e pelo Tiago, com 3 colaboradores permanentes, Carolina Condeço, Nuno Nunes Ferreira e Vera João. Desde Janeiro 06 o atelier desenvolve um site/blogue ( www.arqmob.com ) de divulgação do seu trabalho e outros projectos. Dos seus trabalhos destaca-se a menção honrosa no Concours D’Idees International pour Le Noveau Palais de Justice de Paris 06; o projecto premiado no Concurso “Intervenções na Cidade” promovido pela Trienal de Arquitectura de Lisboa 07; e o 1º Prémio no Concurso Internacional para a Dinamização do Rio nas Margens do Médio Tejo 07. Andreia Salavessa. Licenciada em Design,especialização Design de Interiores, pelo IADE 1998, e em Arquitectura pela UAL 2004, bolseira do programa Erasmus no Instituto Politécnico de Milão.Prémio SECIL Universidades 2004. Prémio da melhor aluna do curso de Arquitectura da UAL em 2004. Colaborou, na área do Design com o INESC; na área da Arquitectura e Design de Interiores com o GAP; e na área da arquitectura com: Fernando Salvador e Margarida Grácio Nunes, 2000; João Santa Rita, 2000-01; João Luís Carrilho da Graça, 2002-03; e Bárbara Delgado/Rogério Gonçalves, desde 2003. Tiago Mota Saraiva. Licenciado pela FAUTL 2000, bolseiro do programa Erasmus 99 naETSAMadrid. Prémio Comendador Joaquim Matias Quelhas dos Santos 99/00. Menção Honrosa no Prémio SECIL Universidades de 2000. Frequentou o Curso de Especialização em Arquitectura, Território e Memória da FCTUCoimbra. Foi correspondente em Lisboa da revista espanhola ” Pasajes de Arquitectura y Crítica” 99-02. Colaborou em Lisboa, desde 1995, com: Paula Cabral, Segismundo Castello Branco e Fernando Ho; a.s*; Atelier do Chiado; Giulia de Appolonia. Colaborou em Roma com Massimiliano Fuksas Studio e foi consultor externo do Studio Altieri SRL de Vicenza. Entre Fev.03 e Dez.05 foi sócio da empresa extrastudio – arquitectura, design e urbanismo Lda. Actualmente é docente da cadeira de Arquitectura Analítica I da Universidade Moderna de Lisboa. Membro da direcção do Conselho Directivo Nacional da OA desde 2002.
Pedro Jordão, Aveiro, 1977. Licenciado pelo Darq-FCTUC 2000. Colaborou no atelier de Cristina Guedes e Francisco Vieira de Campos 00/01. Obteve, com Cláudia Costa, o 3º lugar no Concurso para o Mercado Municipal e Envolvente do Barreiro, 2006. A par da sua actividade profissional, dirige a Associação Cultural Mercado Negro (Aveiro), de que é programador, sendo ainda Presidente do Cineclube de Aveiro. Foi fundador e primeiro director da revista de arquitectura NU, sendo autor de vários artigos em publicações nacionais e estrangeiras. É colaborador regular da revista holandesa A10 e foi editor convidado, com Inês Moreira, do segundo número do Vírus (Jornal Arquitectos).
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1. A iniciativa é óptima e tem sido no geral bastante interessante este ‘A CAMINHO DO PAÍS DAS MARAVILHAS’. (Apesar das falhas contínuas dos horários e das horas tardias do fim das sessões.) Contudo, ontem à noite, não consegui entender a razão do alinhamento da sessão. Muito sinceramente, gostaria que a organização me desse uma explicação.
1.1. O representante da Wonderland mostra os mesmos dados gráficos que já há muito saíram publicados na revista. Eu e vários membros do público pensámos que a parte activa da sua participação estaria pois para acontecer com o anunciado debate. Mas a sua participação acaba com o intervalo.
1.2. Os simpáticos representantes dos muito interessantes EXYZT fizeram uma belíssima apresentação do trabalho do grupo. Eu e vários membros do público pensámos que a sua participação no debate, juntamente com outros jovens arquitectos (portugueses) na mesa, tinha potencial para uma boa discussão sob o tema anunciado. Mas a sua participação acaba com o intervalo.
1.3. O debate começa e muito poucos minutos depois começa público a sair. O austríaco do ponto 1 e os franceses do ponto 2 fazem parte dos primeiríssimos desistentes - há aqui, de certo modo, uma certa insensibilidade.
1.4. Pergunto:
Terá valido a pena a presença do representante do Wonderland?
Qual a pertinência da vinda dos EXYZT no âmbito da sessão e do ‘A CAMINHO DO PAÍS DAS MARAVILHAS’ em geral?
O que é que foi exactamente aquela segunda parte?
Sessão desconjuntada a do dia 10 de Julho, pela disparidade nas características dos oradores e na natureza das comunicações.
Introduziu Thomas Lettner a plataforma Wonderland através de uma explicação da génese do movimento, suas motivações e opções fundadoras, percorrendo depois os conteúdos do primeiro número da revista, focada sobre as condições de exercício da profissão por arquitectos em início de carreira nos diferentes países europeus. A apresentação pretendeu constituir uma descrição não exaustiva relacionando dados como índices de população por arquitecto, orçamentos e honorários em distintos países (de novo a Irlanda a aparecer como o paraíso encontrado), paridade sexual, ou condições e evolução dos escritórios enquanto estrutura. O universo Wonderland aparece então como um espaço que mais do que ilustrar, ou discutir, a produção dos seus participantes, pretende introduzir as condições dessa produção como um espaço de confrontação da classe consigo mesma de forma descomplexada.
O EXYZT é uma plataforma colectiva e multidisciplinar sem fins lucrativos, alimentando-se de outras estruturas para sobreviver. Os trabalhos apresentados, construções efémeras normalmente associadas a eventos de algum mediatismo (conferências, eventos artísticos, concertos, workshops), são impelidos por um desejo de participação social e de entendimento da arquitectura como uso, como concretização, e como formulação. Enquanto acção simultânea e directa: “we wanted to make real architecture, for real people in real situations”. A construção dos projectos envolve a participação dos membros da equipa que concentram assim todo o processo, incluindo propostas de actividades que aí possam acontecer, ou seja o EXYZT projecta, constrói e exemplifica as possibilidades de uso que as suas obras propõem. Este universo é próximo de práticas como as de Yona Friedman, Archigram ou Superstudio, mas distante de por exemplo Santiago Cirugeda ou Krzysztof Wodyczko, menos preocupados na construção de um discurso sobre o way of life e menos comunicacionais. A conferência incluiu um conjunto de vídeos, testemunhos das pequenas totalidades que o EXYZT propõe, terminando com uma intervenção num edifício abandonado em Karosta na Letónia, um work in progress com a forma de um cogumelo, proposto como suporte de um centro de artes e algumas actividades agrícolas em regime de micro-economias, de grande impacto formal. Com imagens da festa da sua abertura e das projecções vídeo que por uma noite constituíram a imagem do edifício, o EXYZT expõe a sua participação na construção de um léxico das arquitecturas alternativas.
O debate (tardio pela extensa apresentação do EXYZT) que se seguiu foi-se desestruturando, hipotecado pelo pouco tempo que teve disponível Alberto Castro, expondo as motivações e preocupações do programa Contacto (de que é fundador), pelo ímpeto um pouco precipitado de João Quintão na sua tentativa de expor o universo de trabalho dos arquitectos nas Câmaras Municipais (louvável ainda assim, pelo desconhecimento que dele tem o resto da classe e pelas nebulosas que daí decorrem), e pela extensão excessiva da apresentação de dois percursos em paralelo de Ivo Oliveira e Filipa Guerreiro. Ainda assim foi importante perceber como o programa Contacto é mais uma intenção de criação de massa crítica do que uma proposta de valorização para fins estatísticos, o alerta de João Quintão para os riscos de ensimesmamento da arquitectura que nos impede por vezes de termos consciência de nós próprios, e a exposição de Ivo Oliveira e Filipa Guerreiro de circunstâncias específicas da profissão tão elementares como estabelecer contactos, salários, orçamentos, constituir empresas e afins, frequentemente afastados da exposição pública pelo pudor que, como classe, temos em falar delas.
Braga,1952. Licenciado em Economia pela U.P. 1974. PhD em Economia, Universidade da Carolina do Sul 1985. Professor Associado da Universidade Católica Portuguesa desde 1991 , foi professor associado, até 1990, da Faculdade de Economia do Porto. Director da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Católica Portuguesa desde 2001, Presidente do Conselho Fiscal da Unicer desde 2007, Vice-presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP desde 2006 e Presidente do Conselho de Administração da Ciencinvest – Valorização Económica da Ciência desde 2005. Foi Director da Unidade de Gestão da Estratégia de Inovação Regional do Norte, Membro da Unidade de Estratégia de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto e Director da licenciatura em Economia na Faculdade de Economia do Porto. Co-fundador do Programa de Estágios Internacionais Contacto@Icep em 1997 (hoje Rede NetworkContacto).
Porto, 1969. Licenciado pela Faup 1995, bolseiro ERASMUS na ETSABarcelona 94/95. Especialização em Planeamento e Projecto do Ambiente Urbano em 2004/05. Estágiou no CEFA UP 1993/94. Colaborou com os Arquitectos Luís Miranda e Paula Petiz entre 1989/96, com Atelier 15, entre 1995/96. Autor, desde 1996, de vários projectos de habitações unifamiliares e edifícios públicos, onde se salienta o Agro -Turismo Herdade do Barrocal de Baixo. Coordenou o GTL do Crato e elaborou o Plano de Pormenor dos Centros Históricos do Crato e Flor da Rosa entre 1996/1998. Arquitecto Municipal na Câmara Municipal de Matosinhos no Departamento de gestão Urbanística - Divisão de Solos, desde 1999. Dirige, desde 2006, o projecto de reconversão das Áreas Urbanas de Génese Ilegal - AUGI - de Matosinhos, elaborando paralelamente o Plano de Pormenor dos Paus, de reconversão de uma AUGI.
Lisboa, 1976. Licenciado pela FAUP 2000, Bolseiro Erasmus na École d’Architecture de Lille, 98/99. Bolseiro de estágio PRODEP 99/00. Prova final de Licenciatura “Portugal anos 90, retratos (des)conexos” sobre a arquitectura portuguesa nos anos 90, partindo do estudo da participação de jovens arquitectos em Concursos. Bolseiro de Mestrado da FCT 2005/2006. Mestre em “Arquitectura, Territòrio e Memória pela FCTUCoimbra, 2007 com a dissertação “Ilusões e ficções de modernidade, na fábrica Oliva de São João da Madeira”. Foi Monitor de Projecto II na FAUP 2001/02, é, desde 2004, Assistente Convidado de Projecto I e Teoria II no DAAUM. Enquanto estudante participou na organização das Jornadas Pedagógicas AEFAUP95, na organização do ciclo de conferências “Falar de Arquitectura”, foi membro da direcção da AEFAUP, do Conselho Pedagógico e da Assembleia de Representantes da FAUP. Co-editor da revista “Unidade 6″. Co-comissário do programa “Obra Aberta” organizado pela OASRN, no Ano Nacional da Arquitectura, 2003. Colaborou na selecção dos Projectos da Região Norte e da AMP para a Exposição “Habitar Portugal 01.02″, comissário da Região Norte da Exposição “Habitar Portugal 03.05″. Co-editor do DVD “Obra Aberta, Arquitectura em visita” OASRN 2004. Produtor do nº 3 da Revista Laura, “Laura critica”, revista de Cultura Arquitectónica do DAAUM, 2005. Colaborou com arq. José Gigante, Porto 99/00; atelier Francis Nordemann, Paris 00/01; atelier Leonard et Weissemann, Paris 2001; Atelier 15, Porto 01/03. Participou com os Arq. Pedro Castelo e Mathilde Bauchet em diversos Concursos Públicos para Melgaço, Beja e Alcoutim. Desenvolveu projectos em co-autoria com André Tavares e Filipa Guerreiro 97, Bruno Figueiredo 2003 e 2006, Mathilde Bauchet desde 2002.
Filipa de Castro Guerreiro, Viana do Castelo, 1976. Vogal da direcção OA-SRN. Licenciada pela FAUP, 2000; bolseira do programa Erasmus 98-99, IUAV, Veneza, bolseira de estágio PRODEP 99/00. Enquanto estudante participou na organização das Jornadas Pedagógicas AEFAUP95, na organização do ciclo de conferências “Falar de Arquitectura”, foi Presidente da AEFAUP, membro do Conselho Pedagógico, da Assembleia de Representantes da FAUP e do senado da UP. Co-editora da revista “Unidade 6”. Recebeu em 2000 Prémio de Mérito da FAUP, Prémio Arq. Ricardo G. Spratley e Prémio Eng. António de Almeida. Assistente de Projecto I na FAUP desde 2006, bolseira de Mestrado da FCT-MCT. Entre 99 e 2001 colaborou com Álvaro Siza e José Paulo dos Santos, e fundou em 2001 o Laboratório de Arquitectura (LAbft) com Bruno Figueiredo e Tiago Correia. Entre outras, estão construídas as obras que resultaram de 1º Prémios em concursos: CMIA PolisMatosinhos (selecção “Habitar Portugal 00-02”); EBI 1ºciclo Paredes de Coura (selecção “Habitar Portugal 03-05”); a ampliação do núcleo de Paredes de Coura da EPRAMI (Prémio Arquitectura em Tijolo de Face à Vista CVG 04/05 Categoria Jovem Arquitecto) e o CEIA da Paisagem Protegida do Corno de Bico.
Se há uma ideia que fica latente da sessão de 3 de Julho é o pragmatismo das apresentações, pragmatismo entendido aqui por oposição a uma ideia de intensidade que geralmente associamos a aproximações mais existenciais da prática de arquitectura. Como em leveza versus peso, precisão versus comoção, ou quotidiano versus excepção. Ainda assim um pragmatismo não decalcado dos espaços definidos em tempos recentes por arquitectos como Ábalos&Herreros (distanciado igualmente de outro pragmatismo apresentado na sessão anterior pelo GLCS, de natureza distinta), mas atentos às condições específicas de exercício da profissão em Portugal (aqui talvez com a excepção relativa do ReD) e disponíveis às possibilidades de encomenda. O E-Studio, continuando as estratégias de crítica de programa habituais na OMA encontra nas manifestações do quotidiano matéria de projecto, enquanto o ReD centraliza num processo de experimentação dentro do atelier, diferentes possibilidades de concretização (workshops, exposições ou propostas de optimização de execução) partindo das ferramentas do projecto, procurando nelas o seu espaço de trabalho. Pedro Campos Costa apresentou um conjunto de propostas concentradas na economia do gesto, consciente que da sua precisão resulta a eficácia do projecto. Patrícia Barbas, na apresentação mais escorreita da noite, evitou a apresentação de projectos in strictu sensu aludindo aos ambientes que três obras por ela realizadas definem através de frames-síntese (quase teasers de obras), e André Eduardo Tavares passou por intervenções diversas (com algumas obras em construção à mistura), desde um terreno fértil em encomendas a concursos, situando-se sempre numa lógica da estrutura-como-linguagem típica em Nuno Brandão Costa (com quem trabalhou), deixando no ar uma ideia de fechar de ciclo com um projecto de uma Peixaria-tipo para Angola como herança. Depois um cálido (apesar de rápido) esvair de tertúlia por entre (muito menos pragmáticas) pepitas sonoras.
Começa a ser habitual ver nos arquitectos que passam pela OMA uma procura de matérias para o projecto na análise crítica do programa ou das características da encomenda, sendo esse um dado relevante, portanto, na apresentação do E-Studio. O concurso para a cobertura da Rua Ferreira Borges em Coimbra é desse facto evidência. Ao escolher enterrar um percurso que se pretendia coberto expõe-se o paradoxo da encomenda que pretendia trazer para o centro histórico a miragem do centro comercial (mitigado em galeria comercial coberta) e, simultaneamente, sustentar uma candidatura de Coimbra a património mundial. A proposta do E-Studio consistiu em preservar a imagem “histórica” da cidade, salvaguardando a possibilidade de uma artéria comercial tornando-a selectivamente visível, tirando partido das diferenças de cota existentes. Tendo sido vencedora (mais um concurso de contornos improváveis), tornaria Coimbra num centro significativo de crítica arquitectónica à política autárquica nas cidades articulado com o projecto de Fernando Távora para a praça do Município e o de Pedro Bandeira para a Rua da Sofia (curiosa possibilidade, e ainda com o Pátio da Inquisição de João Mendes Ribeiro por perto, mais um cheiro de Jardim da Manga…). O projecto para um edifício sede de empresas de investigação de software ligado à aeronáutica, instalação de fórmulas de trabalho em rápida evolução, origina uma proposta de reflexão sobre a obsolescência dos espaços de investigação tecnológica. Centra-se na confrontação entre o espaço contentor neutro e flexível e uma série de pátios interiores que conformam o edifício propondo na vegetação que os ocupa uma representação da diversidade populacional do edifício. A casa em Alfeizarão é uma formalização nas malhas do RGEU, uma loja em Setúbal formaliza o desejo de tipicidade do cliente em CNC, e um projecto expositivo para a TAP materializa-se na imagem tecnológica do material utilizado. É interessante assinalar no trabalho do E-Studio uma deslocação dos temas de projecto para matérias do quotidiano, afastando-se de uma tradição de “elevação” dos temas-matéria de projecto. Esta abordagem, geneticamente pop, encontra uma tensão conspícua na Casa em Azeitão, onde a intensidade matérica de velhas paredes rebocadas origina uma coexistência entre existente e intervenção que Koolhaas seguramente desdenharia (pela ausência de desejo de transformação), mas num Portugal em permanente conflito patrimonial (entendido aqui como patologia clínica), seguramente deixa portas em aberto para uma descolagem de ortodoxias metodológicas koolhaasianas.
A apresentação do ReD começou por assinalar como campo de convergência da actividade do atelier, o desenho e as ferramentas do desenho. A transformação dos instrumentos do projecto com a introdução do desenho assistido por computador tem construído um espaço de trabalho fértil em anos recentes (desde Gehry com o desenho enquanto modelação, ao espaço do desenho como ferramenta conceptual do projecto em Eisenman), constituindo-se como um espaço autónomo de investigação, ainda que pouco percorrido por arquitectos em Portugal. Uma introdução genealógica ao tema ancorada na oposição entre o pavilhão de Barcelona de Mies enquanto produto do desenho planimétrico, e o Guggenheim de Bilbau de Gehry como produto da modelação, leva-nos até um conjunto de workshops e cursos em que se trabalha sobretudo a consciência do meio (medium?) enquanto possibilidade conceptual. O estudo de optimização da construção do banco para exterior Xurret projectado por Àbalos&Herreros, confirma que a multiplicidade de campos por onde se move o ReD constrói-se em torno de âmbitos distintos procurando estabilizar e aprofundar os sistemas de trabalho do/no atelier. Os projectos a seguir apresentados, a reforma de um apartamento em Barcelona), a instalação das exposições M-City no kunsthaus de Graz (de Peter Cook e Colin Fournier), e Horror Vacui no Pavilhão de Portugal em Lisboa, aparecem como manifestações construídas do trabalho em atelier, como oportunidades de materialização de ideias em torno dos processos da sua própria concretização. Estes processos existem num meio eminentemente tecnológico e partilham a sua ética, frequentemente refém da proeza e do next big thing como estratégias de sobrevivência. Ainda assim a exposição M-City parece mais próxima de uma conformação dos objectos aos corpos (ainda humanos) que os usam do que do relato dos seus processos de materialização, apesar de ser igualmente evidente que a importância iconográfica dos cones de penumbra e da topografia invertida do piso inferior procura um diálogo taco-a-taco com o projecto de Cook, menos preocupado portanto, com a congruência do discurso proposto enquanto totalidade, do que com a sua persistência na nossa memória enquanto imagem, enquanto feito.
Pedro Campos Costa apresentou três propostas de características distintas, uma instalação nos jardins do Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos, uma cenografia para uma peça ao ar livre em Almada, e uma proposta de uma casa integrada no evento Casa Portuguesa. Em todas elas, a precisão de um gesto fundacional estabelece o universo de cada uma. Cobrir um jardim com pó de talco cria uma imagem inesperada trazendo para fora o cheiro-a-hospital, provavelmente tão importante como a imagem, que desaparece no dia seguinte. Permanecerá apenas como memória (ou como o seu registo), trabalhando sobre a não objectualidade das coisas. Uma cenografia de uma peça de teatro ao ar livre faz-se num buraco que criará a intimidade julgada suficiente, fazendo dos edifícios limítrofes o cenário de um teatro sem matéria mas com sinais suficientes para que o possamos reconhecer enquanto tal. A Casa não Casa funciona como o negativo do teatro sem matéria recluindo-se acima da cota 0. A convocação de uma sustentabilidade tecnológica como raíz da proposta estará mais próxima duma estetização da tecnologia do que de um tecno ilustrado, permanecendo numa ambiguidade que á crítica em ambos os sentidos: nem o bico transladado da casa dos mesmos e escolhido como imagem do projecto é a matriz da intervenção, nem o sistema de painéis fotovoltaicos é interessante o suficiente para constituir ele próprio imagem. Assim é no potencial gerado pela ligação de elementos desconexos (ainda a casa-pátio, as árvores) que se joga a eficácia do projecto, mesmo que cada um deles isoladamente seja em si mesmo contingente e o conjunto possa tender para a obsolescência. Voltamos então a uma ideia de precariedade que acompanha, parece-me, toda a apresentação, muito mais próxima (em ética não m forma) da arte povera do que de alguma dominante arquitectónica.
Fica a curiosidade de como funcionaria a apresentação se a imagem mostrada da “Belle de Jour” de Buñuel estivesse no início e, não no final, ou seja como se posicionaria Pedro Campos Costa face à sua própria provocação.
Apresentação surpreendente a de Patrícia Barbas, uma conversa em torno de temas suscitados por aspectos de três projectos, uma “casa na árvore”, uma recuperação de um apartamento na Lapa e um atelier numa garagem. Intervenção alusiva, não explicativa ou descritiva, portanto, em torno de imagens parcelares. Ambientes mais do que discursos, por onde se discorreu sobre temas que os projectos suscitam, cada um deles capaz de conter universos inteiros. A leveza da apresentação encontrar-se-á (provavelmente) em cada um dos projectos. Numa casa elevada num lote de 10 hectares, ou no ornamento enquanto representação de estatuto no apartamento da Lapa. Ou ainda numa cortina que circunda um espaço de trabalho que se pretende como um trabalho sobre o dentro/fora, cheio/vazio ou peso/graça.
Ficamos com um teaser de arquitecturas, ou, como lembrava Josep Quetglas uma conferência de Allison e Peter Smithson, como fazer arquitectura com fitas, papéis, fios, ar e luz.
André Eduardo Tavares, deparou-se com uma situação inédita neste ciclo de conferências, construir com uma obra sua como pré-existência (não deixaria de ser curioso assinalar, como curiosidade estatística, quais os conferencistas que usam o termo pré-existência). Num terreno fértil em encomendas, A.E.T. observa tridimensionalmente a sua própria evolução como arquitecto. Fica a ideia de um percurso que naturalmente se foi aproximando de Nuno Brandão Costa (com quem trabalhou), e que provavelmente fecha um ciclo com uma multidão de Peixarias-Tipo para Angola. Pelo meio, ensaios a várias escalas, sempre em torno do tema estrutura-como-linguagem, e um léxico de materiais rapidamente circunscrito ao betão como matriz associado pontualmente a outros como forma de construir continuidades com os diferentes lugares de intervenção. A afirmação de um desejo de paragem (quero estudar! afirmou, quando já estávamos falhos de profissões de fé…), numa intimidade quase confessional com a plateia, conclui uma evidente exposição de pragmatismo aplicado à encomenda e programa, maximizando as suas possibilidades sem a análise crítica que vimos noutras apresentações. A imagem será sempre uma formulação prévia às circunstâncias do projecto, mas o esticar das suas possibilidades de flexibilidade na adaptação a circunstâncias e programas distintos, poderá ser a curiosidade que permanecerá relativamente ao percurso pós-reflexivo de André Eduardo Tavares.
A última sessão de dj de BB, Bruno Baldaia, sonorizou uma opção por um exercício de deejaying menos focado na vontade de mudar o mundo com um prato e um headphone à banda, optando, antes, pela capacidade operativa e técnica, com interesse indesmentível pela capacidade de resposta. Este posicionamento pragmático e até funcionalista, palavra “non grata” no léxico baldaiano, originou, não sem surpresa, num intenso e insidioso convite à prática de uma das 3 principais artes cénicas da Antiguidade, felizmente, na vertente mais primitiva da mesma. Os corpos moveram-se à custa de soul/funk antigo e viscoso e arrevezado, nas combinações inesperadas de referências, recusando sempre o óbvio e o “original” mas abraçando o normal e o “conforto”. A sessão espraiou-se pela noite dentro, tendo direito, inclusivamente, a uma renovação geracional e profissional, que exigiu com vigor e ternura um encore que “o nosso dj” devolveu, com brilhantismo burocrático, e metaforicamente, ao início e lá vieram outra vez os Roxy Music…
João Ferrão, Lisboa, 1975 . Licenciado pela FAUTL, 2000, bolseiro Erasmus 1999 na FARWTH Aachen. Colaborou com o OMA em Roterdão entre 1999 e 2000 e com Herzog & de Meuron em Basileia de 2000 a 2003. João Costa Ribeiro, Lisboa, 1976. Licenciado pela FAUTL, 2000, bolseiro Erasmus 1999 na ETAMadrid. Colaborou com o OMA em Roterdão entre 1999 e 2000 e com os arquitectos Fernando Bagulho e Cristina Salvador, no Atelier do Chiado até 2003. Formalizaram o e-studio: extrastudio – arquitectura, urbanismo e design, lda] em 2003. Têm diversos projectos premiados em concursos: Frente de mar dos Salgados/Galé 2006, 2º prémio; Sede do Instituto Hidrográfico 2005, 2º prémio; Sede do Parque Natural do Montesinho 2005, 2º prémio; Sede da OASRN 2004, 1ª menção honrosa; Europan 6 em Budapeste 2001, 1º prémio. Estas propostas apresentadas a concurso pontuam uma prática quotidiana de projectos de escalas e carácter diversificados, numa resposta aos vários estímulos do mercado numa promíscua relação com paisagistas, designers e clientes.
Marta Malé-Alemany, Barcelona, 1971. Licenciada pela ETSABarcelona UPC 1996; Mestre em Projecto de Arquitectura Avançado pela Columbia University, Nova Iorque 1997; doutoranda em “Comunicación Visual en Arquitectura y Diseño” na ETSABarcelona UPC. Docente de projecto em várias instituições académicas na Europa e EUA: UCLA, SCI-Arc, U.PENN, ESARQUIC, IaaC, entre outras, explorando as oportunidades materiais conceptuais e materiais que emergem do uso de tecnologias de desenho paramétrico e fabrico digital na produção de arquitectura. Directora do Programa de Pós-Graduação ‘Digital Tectonics’ (IAACatalunya/FPC). José Pedro Sousa, Porto, 1976. Licenciado pela FAUP 1999, Mestre em “Genetic Architectures” pela ESARQ-UIC Barcelona 2002. Bolseiro da FCT para doutoramento em Ciências da Engenharia no IST-UTLisboa. A sua investigação centra-se no impacto das novas tecnologias de CAD/CAE/CAM no uso de materiais tradicionais em arquitectura, dedicando um interesse particular à cortiça. Foi Special Student no dep. de Design and Computation do MIT, Cambridge MA 2003 e Visiting Scholar na U.PENN, Philadelphia PA 2005. Actualmente leccionou no programa de Pós-Graduação “Digital Tectonics”, no IaaCatalunya. Editor da secção de Tecnologia Digital da revista “Arquitectura e Vida” desde 2005. Criaram em 2004 o estúdio de investigação e projecto em arquitectura e tecnologia digital - ReD | Research+Design - com base no Porto e em Barcelona. Tem projectos concluídos na Áustria, Espanha, Itália, Portugal e EUA. Integraram a exposição “Fabrication”, Waterloo School of Architecture, Cambridge, 2004, “Beyond Media Festival”, Florença, 2005, Scenographies d’Architectes, Pavilion de l’Arsenal, Paris, 2006, Bienal de Arquitectura de Pequim, 2006, entre outras. Vencedor do prémio internacional de arquitectura e tecnologia digital FEIDAD 2005, do prémio de arquitectura efémera OutrosMercadus, e em 2007 do apoio NEOTEC para criação de empresas de base tecnológica, promovido pela Agência da Inovação, Portugal.
Lisboa, 1972. Licenciado pela FAUP 1997, bolseiro Erasmus na TUDelft 1997. Pós graduação em planeamento e construção sustentável pela Faculdade de engenharia universidade católica Portuguesa, 2006. Colaborou em Amsterdão com UN STUDIO – Van Berkel and Bos, e Architeken CIE. Actualmente colabora com Promontório Arquitectos em Lisboa. Vencedor do prémio Libero Ferretti “Dove abita l´utopia” – promovido pela Domus Academy – com a intervenção em Roma “Paisagens indivisíveis”, 2000. Seleccionado para o prémio “ NEXT GENERATION” – promovido pela revista Metropolis em New York, com o projecto “CASA não CASA” 2006. Tem realizado diversos projectos artísticos e cenografias. Actualmente é redactor da revista D´ars, sediada em Milão.
Lisboa. Licenciada pela FAUTL. Colaborou com Gonçalo Byrne, João Pedro Falcão de Campos e Pedro Silva Dias. Inicia actividade própria em 2000. Desde 2004 trabalha em parceria com Diogo Lopes, estabelecem atelier em Lisboa em 2006.
Entre outro desenvolveu o projecto de reconversão de oficina em Campo de Ourique, Lisboa; o Valadas Wine Resort, Montemor-o-Velho (atelier de contacto de Peter Märkli); o projecto expositivo do Museu Machado de Castro, Coimbra (em co-autoria com Catarina Ramos Pinto para Gonçalo Byrne); casa na Comporta (em co-autoria com Promontório Arquitectos); Casa em Benavente.
Santa Maria da Feira,1978. Licenciado pela FAUP em 2004, frequentou a École Polytechnique Fédérale de Lausanne, 2000/01. Estagiou e colaborou entre 2001 e 2007 com o Arquitecto Nuno Brandão Costa. Exerce a actividade profissional como autor desde 1999.
Quatro apresentações na sessão de terça-feira 26 de Junho. Três delas em torno do trabalho produzido no Atelier do Corvo, MOOV e GLCS, respectivamente, e a quarta uma exposição do trabalho de um jovem Januário Godinho (chegou a comentar-se a sua possível comparência, mas aparentemente, já não está para estas coisas) feita por um igualmente jovem André Tavares. Foi uma sessão a aflorar diversas abordagens à ética profissional, desde o universo de escolhas de actividades mais especulativas/experimentais/exploratórias alicerçadas em concursos nacionais e internacionais nos casos do Corvo e MOOV, ou a pragmática atitude de GLCS focalizada na capacidade de resposta técnica decorrente da sua participação significativa em concursos concepção/construção. Apresentações com alguma coisa de “castrista” (ver digestão de Labastida&Maia) as do Corvo e GLCS, ainda assim tudo dentro da mais estrita legalidade. A importância da definição de universos formais autónomos pareceu aqui menos importante do que noutras sessões ainda que seja evidente essa preocupação no Corvo e MOOV, não é separável de uma escolha precisa da origem da encomenda, relativamente à qual se posicionam criticamente. Assinale-se a diversidade geográfica (Porto, Lisboa e Miranda do Corvo) dos conferencistas e também a exaustiva abordagem de André Tavares ao início de carreira de Januário Godinho, com gráficos de rendimentos, rentabilidade e proveniência e tipo de encomenda, numa visão que incidiu menos sobre o seu universo estético e mais sobre as condições e características de exercício da profissão de facto, dando-nos a possibilidade de um escrutínio sobre as escolhas e opções feitas por Januário pouco habitual num meio ainda sensível ao exercício da crítica. Saímos no final com um lugar no coração para Ricardo Severo, extraordinário exemplo de boa-venturança.
A apresentação do Atelier do Corvo foi sintomática de algumas opções de algumas das práticas de arquitectos mais ou menos jovens no panorama contemporâneo. Antes de mais a questão da localização de um atelier em Miranda do Corvo não significar uma periferização das propostas arquitectónicas é em si um facto assinalável, se o compararmos com a deslocação para as periferias dos arquitectos formados na transição dos anos 70 para os 80. As excepções assinaláveis, os Pioledo, ou os Arquitectos das Beiras (mais tarde José Bandeirinha e João Mendes Ribeiro em práticas individuais), por exemplo, são exemplos de um desejo de pertinência de um discurso feito fora dos pólos que pontuam a mediatização da arquitectura em Portugal. Os projectos descritos por Carlos Antunes, na sua maioria concursos internacionais, demonstram uma vontade de posicionamento ético face à disciplina, visível desde logo na escolha de oportunidades - Escolas Tipo para a África Subsaariana; Museu do Cairo (com Nuno Monteiro e Joana Ribeiro) um projecto inexplicavelmente ainda por conhecer sobretudo se nos lembrarmos da mediatização que teve a proposta de Aires Mateus; Museu da Estónia, Biblioteca da República Checa; e World Trade Center Site Memorial – e, a partir daí, no que essas oportunidades potenciam enquanto espaço de formulação de discursos, convocando referências de campos distintos desde as artes plásticas a leituras críticas da histórica (visíveis na recuperação do Laboratório Chímico, com João Mendes Ribeiro, ou na exposição Semente em Boa Terra ambos em Coimbra). A prática daí resultante, recluída e resistente, corre o óbvio risco de se transformar num exercício moral do projecto face à tentação espectacular de boa parte da arquitectura contemporânea, no entanto, o projecto de uma torre em Luanda recoloca a questão num plano distinto. Perante um programa “especulativo” é proposto um edifício, algures entre Toyo Ito e Herzog&deMeuron, paralelo à memória da arquitectura moderna da Luanda pré-colonial, cosmopolita e expectante. Fica a expectativa de ver como se pode fazer uma arquitectura correcta politicamente sem se tornar politicamente correcta.
O MOOV fizeram a segunda apresentação construída a partir de um mapa de ligações, depois dos Ateliers de Santa Catarina, poderemos estar a assistir a uma matriz deleuziana (mapas rizomáticos de ligações) nos novos arquitectos de Lisboa? Também o MOOV constrói a sua prática a partir de um posicionamento ético/social face à arquitectura. Um conjunto de intervenções ligadas a eventos artísticos e concursos internacionais temáticos, evidenciam uma preocupação mais ligada à discussão do fenómeno mediático da arquitectura, do que à sua contingência construtiva. Mais software do que hardware, portanto (no sentido atribuído por Italo Calvino). Assiste-se aqui também a uma progressiva dominante de universos gráficos como reivindicação de novos espaços para o exercício de arquitecturas. O MOOV, mais eloquente no universo gráfico do que no discurso de apresentação, convoca um conjunto de referências que vão desde Santiago Cirugeda (Pixel Urbano como confrontação dos espaços urbanos “contemplativos” com a dificuldade do seu uso), a Christopher Alexander (Habitats Abertos), ou ao contexto Holanda/Barcelona como espaço de identificação (Seta Amarela e Casas Pax). Retemos uma das afirmações mais irresistíveis da noite “o luxo em arquitectura é ter a liberdade de escolher onde se quer estar” (Nomad House), e a curiosidade de como sustentar uma actividade eminentemente ética (ideológica?) desde a euforia mediática da arquitectura contemporânea.
A apresentação de GLCS remete directamente para o debate da sessão anterior, exemplificando uma opção por um exercício de arquitectura menos focado no ethos artístico da prática arquitectónica, optando pela capacidade operativa e técnica, pela capacidade de resposta. Este posicionamento pragmático, assumido por gabinetes como o Risco, Promontório, ou até por Balonas Projectos (indecifrável com a pulverização em especialidades) é agora tornado premente com a expectável maior presença dos arquitectos no mercado da construção (a ver vamos). A emergência da autoria colectiva diluindo o atelier na encomenda de escala significativa, pública ou privada, cria quadros distintos de exercício da profissão, não deixando de ser significativo, pelo número de projectos públicos que a GLCS apresentou (Teatro Aveirense, Teatro Virgínia, Teatro José Lúcio da Silva), normalmente atribuídos a autores de prestígio em estratégias de visibilidade elaboradas por assessores de marketing de autarcas em progressão de carreira, a evidência de um potencial ethos técnico/científico sedutor pela sua potencialidade de assegurar um domínio de aceitabilidade para a arquitectura, construído pela exequibilidade, bom senso e pragmatismo. A questão que se poderá pôr é se a visibilidade decorrente confere um estatuto de autoria proporcional ao volume da obra. Num quadro de massificação acrítica temo que sim, num pressuposto de inexistência de crítica empenhada na sua própria capacidade de resposta. A apresentação de GLCS (ainda que longa e descritiva) pareceu-me aí consciente do espaço que existe para exercer arquitectura de uma forma pragmática, competente e empenhada na sua eficácia, visível por exemplo no edifício do Centro de Comando Operacional de Lisboa, mas também julgo que entre a sua proposta, resultante de um balanço entre programa e linguagem, e possibilidades mais densas, menos focalizadas nessa relação (todo um paradigma de eficácia) existem outros espaços a explorar. Mas há todo o tempo do mundo para fazer escolhas.
André Tavares brindou-nos com uma abordagem aos primeiros anos de carreira de Januário Godinho, aflorando o seu tempo de formação na então Escola de Belas Artes do Porto como espaço de transição entre a tradição beauxartiana e as vanguardas modernas através de um projecto escolar, entrando depois pela sua aprendizagem profissional com um Rogério de Azevedo em pleno processo de maturidade, até ao início da sua prática individual alicerçado na OPCA, empresa propriedade do seu irmão e primeira fonte de encomenda significativa para um jovem Januário Godinho, e finalmente ao padrão de trabalho exercido a partir de então no atelier, exaustivamente analisado através de gráficos de características de encomenda e custos e rendimentos por ela gerados. Pelo meio um passeio pelo ambiente artístico e cultural da época no Porto e uma identificação de algumas redes de cumplicidades estéticas, ideológicas ou apenas afinidades electivas. Se, por um lado, não se verificam alterações profundas na tipologia de escritório relativamente a boa parte do que se faz hoje (estrutura de responsabilidade em pirâmide, trabalho não especializado operando em programas e escalas muito diversos, interdependência económica entre projectos), ficam questões bastante interessantes para os inícios de carreira na contemporaneidade como a menor importância dada à marca de uma prática como um universo linguístico autónomo. Numa época de confrontação entre as linguagens em continuidade com o século XIX como a tradição beaux-arts, ou o vernáculo de matriz romântica, e as linguagens de ruptura ensaiadas pelas vanguardas do movimento moderno, Januário “vai a todas”, afastando um purismo de associação linguagem/ideologia, com que frequentemente vemos os primeiros modernos em Portugal. Com mais sensatez e menos heroísmo, portanto. No final, o verdadeiro blockbuster, a prodigiosa ascensão profissional de Ricardo Severo, quase arsénica no seu percurso, não deixou de me fazer lembrar o slogan dos X Files, the truth is out there…
Constituído em 1998 por Carlos Antunes (Coimbra, 1969) e Désirée Pedro (Porto Amélia, Moçambique, 1970), licenciados pela FAUP em 1995 e 1996.
Tem várias obras construídas entre as quais se destaca o Centro de Arte Contemporânea do Circulo de Artes Plásticas de Coimbra, concluído em 1998, a remodelação do Laboratório Chimico da Universidade de Coimbra para Museu das Ciências, concluído em 2005 e a casa Falcão Meireles em conclusão. Participou em diversos concursos, destacando-se o projecto seleccionado para o Grand Egyptian Museum (2002), o World Trade Center Site Memorial (2003), o edifício para a Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra (2004, 2º classificado), o museu nacional da Estónia (2005), a biblioteca de Nacional de Praga (2006) e o concurso para a torre de habitação, escritórios e comércio para Luanda (2007, 1º classificado)
Empresa fundada em 2001 por Gonçalo Louro e Cláudia Santos, com um extenso currículo de participações em concursos (premiados) e obras Públicas e privadas (Torres Novas, Leiria, Coimbra, Angola e Cabo Verde). Destacam-se projectos desenvolvidos para a Ibis e Refer, e concursos em parceria com a Somague-Engenharia, S.A. Gonçalo Louro, Faro, 1971. Licenciado pela ESAP 1998. Bolseiro Comet 95/96 na ETSABarcelona. Colaborou com arq. Paixão Costa,Faro 88/92; arq. Tanangra Capone, porto 95; Batlle i Roig, Arquitectes, Barcelona 96; Juli Capella & Quim Larrea Disseny, Barcelona 96; arq. João Almeida 99 e arq. João Carreira de 1997 a 2002. Monitor de Desenho II na ESAP 96/97. Assistente convidado de CAD I em Engenharia Civil da UTAD 98/99. Vice-Director do Curso Superior de Arquitectura da ESAP 03/05. Assistente convidado de Desenho II na ESAP 00/04. Cláudia Santos, Coimbra, 1969. Licenciada pela ESAP 1998. Curso de Contabilidade em Ambiente Informático 87; Curso de Avaliação Imobiliária 2001;Curso de Gestão e Projectos 2002. Colaborou com arq. Samuel Aguiar 97/98 e no gabinete de projectos ESTACA, Paredes 98. Membro do Secretariado do Seminário Internacional de Arquitectura e Desenho Urbano Porto/Roterdão 2001. Funda como Sócia Gerente a Loja A2+, Porto, sendo também co-autora com o Arq. Pedro Lessa do projecto de arquitectura. Avaliadora de duas instituições Bancárias entre 2001 e 2005.
Formado em 2003, estúdio híbrido de arte e projecto, onde se estacam-se, entre outros: Habitats Abiertos, 1º prémio no concurso Galápagos-Latitude (XV Bienal de Arquitectura de Quito, Equador 06); Community Interface, finalista no Concurso Internacional de Ideias Siyathemba, África do Sul 04; Casas Pax, desenvolvido para a exposição Casa, Granturismo, 05; projecto “Seta Amarela” apresentado em Lisboa, S. Paulo, Coimbra e Torres Vedras, 2004/06; a instalação / performance “Pixel Urbano” apresentado no evento Visões Urbanas – S. Paulo, Brasil e Lisboa. Desenvolvem actualmente o projecto”Arquitecturas Portáteis”, já premiado no Shinkenchiku Residential Competition, Japão 04 e no Prémio Tektonica’06, com o dispositivo Fractal House e com a Casa Nomad. António Louro, Lisboa 1978. Licenciado pela FAUTL em 2002, bolseiro Erasmus na Escola d’Arquitectura del Vallès UPC Barcelona. Colaborou no estúdio KCAP, Holanda. Paralelamente à prática profissional de arquitectura tem desenvolvido diversos projectos na área das artes plásticas, visuais e performativas. Destaca-se a co-criação de Browser 1.0, integrado no projecto Interfaces apresentado no Rivoli. Membro fundador do moovlab. José Niza, Lisboa 1978. Finalista na Universidade Lusíada. Desenvolve diversas actividades na área das artes digitais, sendo o responsável criativo do estúdio experimental de artes gráficas computadorizadas Lata-Design. Em 2005 torna-se um dos elementos da equipa base da plataforma moov:moovlab após diversas colaborações pontuais. Trabalha como freelancer na área de produção de eventos. João Calhau, Lisboa 1978. Licenciado pela FAUTL em 2002. Estagiou no atelier Contemporânea, 2002/03 e colaborou, entre outros, com o ateliê Utopus. Obtém menção honrosa no Concurso da Association of Collegiate Schools of Architecture. Membro fundador do moovlab.
Porto, 1976. Licenciado pela FAUP em 2000. Frequentou a École Polytechnique Fédérale de Lausanne 98/99 e a Accademia di Architettura di Mendrisio 2003/2004. Enquanto estudante participou em projectos colectivos sobre o ensino e a prática da arquitectura, nomeadamente as Jornadas Pedagógicas 95, 96 Conversas 95/97, revista Unidade 5 & 6 97/98. Estagiou no Centro de Documentação de Arquitectura e Urbanismo da FAUP 99, fez o recenseamento do acervo documental do arquitecto Januário Godinho do qual resultou a Prova final de licenciatura “Modernidade & Contradição, duas obras de Januário Godinho em Ovar” 1999/00. Integrou a direcção da OASRN entre 2002/04 onde coordenou a organização do programa de visitas Obra Aberta (2003, com Ivo Oliveira) e da Exposição/Seminário Encomenda Pública e Concursos de Arquitectura (2003, com Filipa Guerreiro). Integrou a equipe redactora do projecto Políticas Urbanas, coordenada por Nuno Portas (2002/03). Publicou o livro Arquitectura Antituberculose, trocas e tráficos na construção terapêutica (2005, livro finalista dos prémios arquinfad 2006 – secção pensamento e crítica). É coordenador editorial da Dafne Editora.
No dia 19 de Junho decorreu o primeiro debate deste ciclo de conferências com o título “Profissão: Arquitecto/a”, no qual se debateram os resultados do inquérito à profissão, encomendado pela Ordem dos Arquitectos, e o estado da profissão, com especial atenção à geração mais jovem. Presentes estiveram o Professor Manuel Villaverde Cabral, Investigador Coordenador, Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, como responsável pela elaboração do inquérito; Professor João Arriscado Nunes, Investigador Permanente, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra; Arquitecta Cristina Machado, representante do Conselho Directivo Nacional da Ordem dos Arquitectos; Arquitecto João Pedro Serôdio, Presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos; e Arquitecta Teresa Novais, membro do Pelouro da Cultura da Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos, como moderadora.
O debate iniciou com uma introdução e apresentação dos resultados do inquérito à Profissão pelo Professor Manuel Villaverde Cabral; seguidos por uma “segunda opinião” do Professor João Arriscado Nunes; uma brevíssima comunicação da Arquitecta Cristina Machado sobre as razões da realização do inquérito; o Arquitecto João Pedro Serôdio comentou os “resultados” do inquérito. O debate foi lançado com algumas, poucas, intervenções da plateia, mas principalmente através do diálogo entre os membros da mesa tendo o tema discussão rondado as condições de exercício a profissão, a especialização, a dualidade da ethos estética/técnica na profissão do arquitecto.
Não tendo registado uma afluência de público tão grande quanto nas sessões anteriores (facto que se compreende pela “especialidade” do tema) os resistentes e fiéis que compareceram não deram o seu tempo como perdido.
A sessão de conferência/debate “Profissão: Arquitecto” pretendeu ser uma abordagem demarcadora do exercício da profissão por arquitectos em início de carreira. Discussão extensa e aberta incluiu a expectativa de ver-mo-nos como classe desde fora. Desde já assinale-se esse facto que constitui em si uma dificuldade, não estamos habituados a ver-mo-nos desde fora, e a apresentação que Villaverde Cabral fez confirma, desde a forma como nos desejamos como arquitectos, à forma como escolhemos iniciar a sê-lo, até à forma como sobrevivemos enquanto tal, a nossa própria configuração como um quadro endogâmico e de alguma forma resistente à mudança. No entanto, assistimos hoje a uma perspectiva de alteração radical de panorama, a significativa maioria dos arquitectos (cerca de 55%) tem menos de 35 anos e começamos a assistir a uma participação feminina finalmente equitativa, condições sobre as quais este ciclo de eventos pretende reflectir. Abordaram-se questões quanto às possibilidades de flexibilidade de exercício da arquitectura e verificamos que o ethos ou âmago da profissão enquanto domínio artístico e enquanto espaço tecnicamente específico (persistente portanto na tradição beuxartiana da sua formação) mantém-se dominante, resistindo portanto às deslocações de âmbitos já comuns noutros campos, e, consequentemente, resistente num quadro de massificação do ensino de arquitectura. João Arriscado Nunes incidiu nas condições técnicas da arquitectura enquanto produção, desde o atelier ao escritório. Subjacente a esta deslocação está a consciência da figura do autor singular em progressão para o autor colectivo, no sentido em que o processo de concepção da arquitectura incorpora cada vez mais conhecimentos de áreas distintas tornando importante a acumulação de informação a montante do projecto, sendo esta uma condição contemporânea que a classe e a Ordem não poderão ignorar, esta é hoje, e cada vez mais, uma condição comum a que o arquitecto terá de saber dar resposta. Estamos perante, portanto, uma possível tensão entre um ethos estético (também ético, mas intrínseco à profissão) e a possibilidade de um ethos técnico/científico sedutor pela sua potencialidade de assegurar um domínio de aceitabilidade da arquitectura (ficou ausente a sua dimensão social).
A arquitectura em Portugal vive um momento de projecção incomum na sua história, fruto do mediatismo das suas principais figuras e de um desejo de identificar e salvaguardar uma identidade que se pretende constituir como integração, como corpo, e como tradição. Esse é o seu paradoxo, o seu carácter singular permite distingui-la de outros centros de produção de arquitectura no mundo, e ser de facto um centro de produção identificável não é nada pouco, por outro lado a persistência e a sua resistência enquanto reduto dificulta a sua participação nos processos sociais de transformação em Portugal. Essa será a tensão dos sub-40.
Stars are born! As wonderwear (ou underwear, questão ainda não resolvida, dada a cerrada pronúncia nortenha ou, apenas, do generoso volume de som que foi paulatinamente baixando à medida dos protestos dos mais altos responsáveis…) brindaram-nos com um cruzamento de aceleração e leveza com downtempo e espessura, algures entre Cansei de Ser Sexy e Joy Division. E pensar que, por entre vislumbres de brilhantismo chegou a jazer inerte um vinil de Pink Floyd no pick up…
Bruno Baldaia, crítica séria e responsável
Tiago Correia, comentários desnecessários, entre parêntesis
A Ordem dos Arquitectos lançou em 2006 um inquérito à profissão destinado a fazer o estudo sociológico sobre o exercício da profissão de arquitecto em Portugal.
Foram enviados aos cerca de 14 mil arquitectos portugueses um inquérito anónimo destinado a conhecer as condições do exercício da profissão em Portugal, bem como as atitudes dos arquitectos em relação à Ordem e à Arquitectura.
O objectivo do Inquérito era reunir informação mais detalhada sobre as actuais formas de exercício da profissão, as várias dimensões da prática profissional, os principais problemas e aspirações dos arquitectos. O que fazem, quais são os seus problemas, estratégias, percursos, aspirações? Que acesso têm ou não, ao mercado trabalho? Que papel desempenham na construção do território e nos mecanismos de decisão sobre as suas transformações? Qual o reconhecimento do seu trabalho na sociedade portuguesa? Estas algumas das interrogações a que a OA pretendia obter respostas. (relatório final do estudo “Profissão: arquitecto/a”)
Serão apresentados os resultados do inquérito depois do qual seguir-se-á um debate com o título ‘Profissão : Arquitecto’ no qual se irá reflectir sobre as conclusões que se poderão retirar do inquérito e sobre a presente condição dos jovens arquitectos em Portugal.
Ponta Delgada, 1940. Frequentou o 1º ano do curso de Arquitectura da ESBAL, 1957/58. Licenciado em “Lettres Modernes” pela Universidade de Paris, 1968; Doutorado em História na École des Hautes Etudes en Sciences Sociales-Université de Paris I, 1979, com equivalência a doutoramento em Sociologia do Desenvolvimento pela UTL. Investigador Coordenador do Instituto de Ciências Sociais UL desde 1988. Director da Biblioteca Nacional de Lisboa entre 85 e 90. Desde 1990 tem leccionado a nível de Pós-Graduação várias disciplinas das ciências sociais em diversas instituições universitárias, ICS, ISCTE, ISEG-UTL,Faculdade de Direito UL e Escola de Gestão do Porto. Desde 1976 participou como Professor ou Investigador Visitante na Universidade de Oxford, Universidade de Wisconsin, École des Hautes Etudes en Sciences Sociales Paris, Universidade de Londres e Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro Universidade Cândido Mendes. Responsável pelo estudo “Trajectórias académicas e de inserção profissional dos licenciados da Universidade de Lisboa 94/98”, realizado pela socióloga Natália Alves para a Reitoria da UL, 99/00. Coordenador do estudo e relatório “Profissão: Arquitecto/a”, Ordem dos Arquitectos 2005/06, com a colaboração de Vera Borges.
Licenciada pela Faculdade de Arquitectura na Universidade Técnica de Lisboa, em Setembro de 1990. Além da actividade em regime liberal, que exerce desde 1990, já colaborou com o arquitecto Paulo Santos Lima e colabora actualmente com o arquitecto Manuel Fernandes de Sá. Foi Vogal do Conselho Directivo Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos, fez parte dos pelouros da Prática Profissional e da Encomenda Pública, 1999-2004; Vogal do Conselho Directivo Nacional da Ordem dos Arquitectos, onde faz parte dos Pelouros da Prática Profissional, e do Urbanismo, 2005-2007.
Carinthia/Aústria, 1972. Arquitecto pela UAID Linz e ETH Zurich; MBA, MAS pela USMB, ICCM Salzburg e Columbia University Collage, Chicago.
Co-fundador (1999) e sócio da empresa “nonconform architects”com Elisabeth Leitner, Peter Nageler e Caren Ohrhallinger . Co-fundador e membro do comité “ LandLuft”, associação para a arquitectura e comunicação fora dos centros urbanos. Fundador e membro do comité “IG-Architektur” (2001/03). Membro e responsável pelo projecto “wonderland”desde 2003. Professor convidado, em 2004, na Roger Williams University, Rhode Island/USA. Director do Curso “überholz” na UAID Linz desde 2004. Porta-voz da Plataforma Austríaca para a cultura e política arquitectónica desde 2005. Lecciona, desde 2006, “architecture: management, policies and media” na UAID Linz.
Porto, 1962. Vogal da direcção da Ordem dos Arquitectos - SRN. Licenciatura em Arquitectura pela FAUP, 1991. É assistente na disciplina de Projecto II (4ºano) na Faculdade de Arquitectura e Artes da Universidade Lusíada do Porto. Em 1994 e 2005 foi crítica convidada nas avaliações finais (4º e 5º ano) do Curso de Arquitectura do University College Dublin. Colaborou com Foster e Partners, Londres, 1990 e Eduardo Souto Moura, Porto 1991-1996. Em1991 fundou, com Jorge Carvalho, o atelier aNC arquitectos. Os seus projectos têm sido publicados e receberam a medalha de Prata do Prémio Luigi Cosenza 2003, Nápoles, Itália e o prémio PAUMA em 2007. aNC arquitectos foi atelier contacto do OMA na obra da Casa da Música, no Porto.
Licenciado em História FLUP, 1980. Doutorado em Sociologia FEUC, 1993. “Postgraduate Course in Education - Methodology of Teaching in History and Social Science”, University of London, 1981. Apresentou Provas de Aptidão Pedagógica e Capacidade Científica na UM em 1984. Actualmente é Membro do Conselho de Redacção da Revista Crítica de Ciências Sociais, e Investigador Permanente do Centro de Estudos Sociais, Sociologia da Ciência e da Tecnologia (desde 1996); Coordenador do Programa de Mestrado em Sociologia da FEUC (desde 2001); Professor Associado da FEUC (desde 2003); Membro da direcção do Instituto de Investigação Interdisciplinar UC (desde 2004). Membro da Coordenação do Programa de Doutoramento “Governação, Conhecimento e Inovação”, Centro de Estudos Sociais da FEUC (desde 2005). O seu campo de investigação, neste momento está direccionado para Estudos sociais da ciência e da tecnologia, especialmente da investigação biomédica e em ciências da vida, da relação entre ciência e outros modos de conhecimento, da participação pública em domínios ligados à ciência e à tecnologia, ao ambiente e à saúde. Democracia, cidadania e participação.
Porto, 1963. Licenciado pela FAUP em 1991. Estagiou no atelier de Herzog & de Meuron. Foi docente na Universidade Lusíada e é Assistente de Projecto IV na FAUP. Partilha atelier no Porto, desde 1992, com Isabel Furtado (Serôdio, Furtado e Associados), caracterizado por uma participação intensa em concursos e uma encomenda marcada pelo carácter público e complexidade dos programas. Foi assistente estagiário de Projecto IV do curso de Arquitectura da Universidade Lusíada entre 1997 e 2002. É assistente convidado de Projecto IV da FAUP desde 2002.
Foi eleito presidente da Secção Regional Norte da Ordem dos Arquitectos para o triénio 2004/2007.
A segunda sessão do ciclo de eventos road to wonderland – a caminho do país das maravilhas decorreu no dia 11 de Junho, segunda-feira, uma excepção que confirmará a regra pois todas as restantes sessões estão agendadas para as terças-feiras, com, mais uma vez, casa cheia com auditório do Passos Manuel repleto de “jovens arquitectos” (designação lata dado que, como todos sabemos, os arquitectos têm a fortuna de serem considerados jovens pelo menos até os 40 anos). 5 apresentações confirmaram, em continuidade com a sessão anterior, a variedade dos temas e a forma como estes foram abordados. Ao contrário da semana passada, os conferencistas, com a excepção de Pedro Barata Castro, não se detiveram muito na reflexão sobre a condição de jovem arquitecto ou na descrição do quando, como e onde começaram a sua prática profissional, e concentraram-se e basearam as suas apresentações na especificidade dos temas e projectos das suas investigações arquitectónicas. Foram-nos servidas requintadas e raras iguarias que os ausentes apenas podem entrever requentadas através destas ou outras digestões.
Os editores
Bruno Baldaia e Tiago Correia
Os Plano B focaram o âmbito do seu trabalho na abordagem às técnicas de construção ecológicas e sustentáveis, com particular incidência para a arquitectura de terra, na construção de arquitectura contemporânea, com idealismo mas sem dogmatismos; mostraram 4 projectos: “Homeland, Ilha da arquitectura”, projecto expositivo para a bienal de Cerveira; “Engineering gone natural, Bamboo competion”, projecto de concurso cuja proposta, elaborada em conjunto com o Departamento de Engenharia de Aveiro, propunha o bambu como primeiro sistema estrutural; “Casa em Arruda dos Vinhos”, projecto em execução de uma construção com estrutura mista de taipa, madeira e betão; “A mediterranean Kahn”, monumento construído durante um workshop no EUA.
A apresentação do Plano B, ancorada em imagens de fundo duma edição do livro mote deste ciclo – Alice no País das Maravilhas- procurou numa possível alusão ao real/irreal do livro, definir as balizas de uma prática, mais exploratória do que conclusiva, em torno de uma das questões que marcam o panorama arquitectónico contemporâneo - a relação entre ética e estética. Numa sessão marcada pela procura, por parte de cada um dos participantes, dos limites com que cada um se confronta na práctica de arquitectura, o Plano B aborda alguns discursos que constroem o universo da sustentabilidade, campo frequentemente minado por convenções ideológicas, com as quais, através das experiências relatadas na apresentação, se foi deparando. No final, e sobretudo através do projecto de um “monumento à efemeridade” (a mediterranean Kahn) tornou-se perceptível que a desmontagem da convenção e a persistência duma visão interior à disciplina poderão vir a definir o campo de tensões por onde o trabalho do Plano B passará.
Labastida & Maia desfiaram um novelo de “obsessões” projectuais (“programa, cota, filtro, interpretação e tunning”) que regem a sua investigação arquitectónica ilustrando-as e explicitando-as com diversos projectos que descreveram segundo o âmbito dessa obsessão, os projectos explicados parcelarmente obrigaram a uma digestão estimulante por parte de cada um dos espectadores. Os projectos que se destacaram do conjunto, pela assiduidade obsessiva foram “Casa Carmita”, projecto de casa unifamiliar na Maia e “Quinta em Tondela”, arranjos exteriores e conjunto de equipamentos particulares (adega, piscina, spa).
Labastida&Maia bateram o recorde nacional e o europeu de duração de uma conferência! O olímpico está na posse de Fidel Castro, como sabem. Apresentação densa organizada por temas, analisando a forma como estes se manifestam nos projectos e obras realizados. Os temas - programa, cota, filtro, interpretação e tuning - configuram uma abordagem desde a abordagem crítica à encomenda, até à incorporação da topografia no projecto, a sua relação com a luz como espaço de percepção do que é exterior, ou a possibilidade de utilizar os usos como material de projecto. O tuning, característica tão presente na arquitectura que por cá se faz é apresentada como um objecto de amor-ódio, como uma tentação a que se cede com culpa. Esta necessidade de manipular tecnicamente um objecto até à sua estrutura molecular (coisa que de facto nos une) fica assim concisamente descrita. O percurso de Labastida&Maia vai assinalando a existência de um universo fenomenológico como dispositivo de activação dos mecanismos de projecto, sendo aqui já evidente a sua sistematização numa quantidade significativa de projectos. Julgo, no entanto, que poderia ser mais precisa uma apresentação em torno da Casa Carmita e da Quinta do Solar, obras que demonstram de forma clara consistência e objectividade: a estratificação do programa subvertendo a lógica do loteamento (Casa Carmita), a curva de nível que permite interrelacionar os elementos dispersos da intervenção (Quinta do Solar), a piscina perfurada que permite relacionar através da luz diferentes partes do programa (Quinta do Solar), a garrafeira com estantes elevatórias que vai redefinindo mecanicamente a morfologia do espaço (Quinta do Solar), o betão moldado cuja rugosidade representa um espaço orgânico, entretanto desaparecido (Casa Carmita).
Os SAMI mostraram 4 projectos, 2 dos quais o objectivo é proteger, cenografar e possibilitar a visita a 2 grutas de origem vulcânica, o “Centro de Visitantes da Gruta das Torres”, obra construída na ilha do Pico, envolvida por uma paisagem rural, numa intervenção que não se cinge ao edifício mas na definição e materialização de um limite entre a paisagem e a construção; o “Centro de Visitantes da Gruta do Carvão”, projecto não construído em S. Miguel com um programa semelhante mas com uma envolvente urbana; outro o “Centro de Interpretação da Paisagem da Vinha”, obra construída na ilha do Pico fazendo a recuperação de um edifício em ruínas adaptando-o ao novo programa e finalmente o projecto de concurso “Centro de Informação Urbana de Cascais” que adapta o Paiol, edifício do sec. XVII à sua nova função tentando atribuir-lhe através da reformulação da volumetria uma nova consistência urbana.
A organizada e concisa apresentação dos Sami concentrou-se naquilo que pareceu ser o que define o seu âmbito de trabalho, o espaço entre a imagem enquanto antecipação de um edifício e os processos técnicos que permitem a sua materialização. Em obras de grande impacto formal como o Centro de Visitantes da Grutas das Torres, na ilha do Pico, em que através duma cenografia de quadros sucessivos se vai fazendo o acesso à gruta, tirando partido das circunstâncias do programa, manifesta-se o potencial iconográfico das imagens em arquitectura como forma de comunicar uma visão do mundo. O projecto do Centro de Informação Urbana em Cascais, coloca-nos perante uma nova possibilidade, ao intervir na cidade consolidada, torna-se menos importante o carácter singular de um edifício, pelo facto de ele simplesmente já não ser isolado, perante a malha de tensões que a complexidade desta implantação significa. Desta forma, será interessante acompanhar a forma como os Sami, perante a diversidade da encomenda, da escala, e das contingências do projecto, abordarão os mecanismos de elaboração da imagem em si mesma, os mapas e as rotas de que necessitam quando a perseguem.
Ivo Poças Martins, “o jovem mesmo jovem!”, dividiu a sua apresentação em 3 partes: na primeira falou-nos da sua experiência “on the” road to wonderland, da importância que dá em participar, tanto ele como Matilde Seabra, co-autora de todos os trabalhos apresentados, em actividades “desviantes do mundo da arquitectura”; na segunda mostrou 4 projectos, começados ainda enquanto estudante, “Prédio em D. Manuel II”, obra construída de recuperação e transformação de edifício do sec. XIX no Porto em edifício de habitação e comércio, “Casa em Barcelos”, obra construída de recuperação, ampliação e reconversão de edifício agrícola em ruínas, “Edifício no Centro Histórico do Porto”, projecto de concurso SACHE para edifício de habitação, em co-autoria além de Matilde Seabra com Pedro Barata Castro e “Casa em Caminha”, projecto de habitação unifamiliar em fase de construção; na terceira, e última, parte descreveu o projecto com que concorreu ao concurso “Intervenções na Cidade”, no âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa, projecto localizado na “Praça de Espanha” que propõe uma actualização do monumento existente nesta praça propondo a sua substituição por uma enorme porta giratória.
A ideia da procura dos limites do universo de cada um ficou bastante evidente na apresentação de Ivo Poças Martins (tal como em Pedro Barata Castro). É visível alguma esquizofrenia (saudável neste caso) na forma como se tentam espaços tão diversos como a séria e sisuda recuperação de um prédio em D.Manuel II, a elaboração de stands em feiras como oportunidade para testar as possibilidades de exploração de uma iconografia pop (ou concreta se preferirem), a familiaridade da casa em Caminha, ou a confiança em elementos de conforto assumidos como objectos de configuração espacial (o sofá, a estante) através dos quais se relacionam o existente e a nova intervenção. No entanto, é no projecto da praça de Espanha que todas estas dúvidas, incertezas, ou curiosidades se convocam para produzir uma intervenção desafiante.
Pedro Barata Castro, “o arquitecto jovem ainda mais jovem” usou, como álibi, os vários projectos que fez em co-autoria, aspecto que relevou, 5 concursos e 1 auto-proposição, para fazer uma reflexão sobre o seu percurso académico e a sua transição para o seu percurso profissional, revelando com humor a evolução do seu raciocínio, as suas desilusões, críticas e debilidades com os projectos/processos em que se viu envolvido. Na conferência respondeu a 3 perguntas essenciais “de onde venho?”, “onde estou?” e “para onde quero ir?”, sempre usando o fio condutor dos projectos: “Posto de Informação no Fórum da Culturas”, projecto para Concurso Pladur; “vazio urbano na área Ex-Gondrand”, projecto para o workshop Festival dell’Architettura di Parma, “Edifício no Centro Histórico do Porto”, projecto de concurso SACHE, “Pavilhão Augusto Gomes”, auto proposição de pavilhão de exposições para a Escola Secundária Augusto Gomes, que considera ser a caricatura do jovem arquitecto “Eu sugeri o programa, propus-me a fazê-lo, ninguém me paga e se o fizerem eu fico muito feliz com isso!”, “Lote na Rua da Belavista à Lapa”, concurso “Intervenções na Cidade”, no âmbito da Trienal de Arquitectura de Lisboa, “Projecto para ciclovia e requalificação de espaços públicos/vazios urbanos na Av. da Boavista”, concurso “Vamos fazer Cidade” (Expresso/Trienal), com destaque para a proposta de cópia do lago do ex-futuro estádio do Salgueiros, projecto que será editado numa das edições de Junho do jornal Expresso.
Pedro Barata Castro manifestou com Ivo Poças Martins uma consciência de perda de confiança nos limites tradicionais da disciplina, procurando, no entanto, apresentar o seu trabalho como um processo de interrogações, mais do que procurar a definição de universos. Num discurso que utilizou a ironia como autocrítica (e não só), Pedro Castro persiste em tactear possibilidades para o seu percurso procurando testar situações sobretudo através de concursos ou projectos que se auto propõe. A digestão desse percurso desde Gordon Matta-Clark (outra vez…) até ao lago que ocupa hoje o futuro estádio do Salgueiros, afirma uma deslocação desde o potencial das imagens até à possibilidade do uso como elementos detonadores da arquitectura, culminando na proposta de ocupação de um vazio urbano em Lisboa que, parece-me, sintetiza ambos. Pelo meio ficam algumas preocupações que me pareceram constantes, a relação entre forma e conteúdo ou a crítica à possibilidade da linguagem como identificação de um universo do arquitecto. A apresentação de Pedro Barata Castro, tal como a de Ivo Poças Martins, deixam como súmula uma enorme liberdade e disponibilidade para abordar o exercício da arquitectura hoje, restará ver se é um programa de trabalho ou uma consequência da fase inicial de percurso em que se encontram.
A nossa Dj, de nome artístico, “Rita Desenrasca” cumpriu com desenvoltura, brilhantismo e eficácia a difícil tarefa que é dar música a arquitectos. O meu obrigado especial à jovem dj arquitecta pelo “black mirror” dos Arcade Fire que me fez sair do auditório aos pulinhos, com energia renovada para uns passinhos de dança.

Uma equipa de arquitectos, reunida em 2002, que desenvolve projectos e protótipos de edifícios utilizando materiais naturais em simbiose com materiais industriais. Formada por Eduardo Carvalho, Francisco Freire e Luís Gama, 3 arquitectos com intensa formação sobre “Arquitectura de Terrra”, tendo sobre este tema proferido já diversas Palestras (“Earth architecture. Youth Environmental Europe . Budapeste, Dez 2002”), orientado seminários e oficinas (“Rammed Earth. Adobe USA 2007 ; El Rito, New Mexico 07”) , e publicado vários artigos. Luis Gama. Carcavelos, 1974. Licenciado pela FAUTL em 2000, estagiou e colaborou com arq. Pedro Correia, 2000/01. Eduardo Carvalho. Luanda, 1974. Licenciado pela FAUP em 1998, estagiou no Gabinete Técnico da Mouraria e Câmara Municipal de Lisboa em 1997, e colaborou com o Atelier Central arquitectos, Lisboa entre 1999 e 2001.Francisco Freire. Paris, 1975. Licenciado pela FAUTL em 2000. Estagiou e colaborou com o arq. Pedro Correia de 2000 a 2001.
Marta Labastida i Juan, Barcelona 1972. Licenciada pela ETSABarcelona UPC 98, bolseira Erasmus na FAUP 95/96, Mestrado “Arquitectura del Paisatge” ETSABarcelona UPC 99. Colaborou com a arq. Rosa Barba, Barcelona e arq. Manuel de Solá Morales Barcelona/Porto. Assistente convidada, desde 2002 no D. A. Arquitectura da U.Minho.
Carlos Alberto Maia Domínguez, Mexico 1968. Licenciado pela FAUP, 1996, bolseiro Erasmus na US Napoli/Federico II 92/93. Mestrado ‘La Gran Escala’, ETSABarcelona UPC 96/97 e 97/98. Assistente convidado, entre 1998 e 2004 no curso de Arquitectura da Universidade Lusíada do Porto, e desde 2004 no D. A. Arquitectura da U.Minho. Colaborou com o arq. Manuel Botelho, Porto; Tonet Sunyer, Barcelona; Manuel de Solá Morales, Porto.
A partir de 2001 associaram-se e participaram em diversos concursos em Portugal, Espanha, Alemanha e Egipto. Desenvolveram uma série de projectos de casas, alguns já em obra ou construídos, no Porto, Guarda, Maia e Vila Nova de Gaia, assim como o Spa, Jardins e Adega da Quinta do Solar, Tondela e o ‘Parque Maior’, Maia.
Atelier formado em 2005, em Setúbal, por Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira. Inês Vieira da Silva, Setúbal, 1976. Licenciada pela FAUTL em 2000, bolseira Erasmus 98/99, na École d’Architecture de Paris La Villette. Estagiou no atelier do Arq. Philippe Gazeau, Paris 2000, colaborou no atelier do arq. João Luís Carrilho da Graça, Lisboa 2001/02 e no Gabinete Técnico da Paisagem Protegida da Vinha da Ilha do Pico 2002/04. Miguel Vieira, Lisboa, 1977. Licenciado pela FAUP em 2001, bolseiro Erasmus 99/00, na École d’Architecture de Paris La Villette. Estagiou no Departamento do Centro Histórico de Évora 2000/01, e colaborou em 2002 com os arq. Fernando Martins/João Santa-Rita, e Andrew Shore/João Matos no projecto do Arquivo Municipal de Loures, e entre 2002/04 colaborou no Gabinete Técnico da Paisagem Protegida da Vinha da Ilha do Pico. Dos vários projectos desenvolvidos, está já construído o Centro de Interpretação da Paisagem da Vinha da ilha do Pico, o Centro de Visitantes da Gruta das Torres (Nomeado para o prémio “Mies Van Der Rohe 2007”, seleccionado para a exposição “Habitar Portugal 03-05” e Finalista da Selecção Portuguesa da V Bienal Ibero-Americana de Arquitectura e Urbanismo, Montevideo, 2006) e a Recuperação de Edifício do séc.XIX para habitação e atelier de Arquitectura, em Setúbal (finalista do Prémio “Alexandre Herculano 2006”).
Porto, 1980. Licenciado pela FAUP em 2005, bolseiro Erasmus 02-03, na École d’Architecture de Paris Val de Seine. Estagiou no atelier do Arq. Pedro Ramalho. Trabalha como arquitecto na Motion Design e desenvolve projectos em atelier próprio em parceria com Matilde Seabra desde 2001.
Menção Honrosa no concurso “SACHE- a Baixa do Porto -Rua de Trás” co-autoria com Matilde Seabra e Pedro Barata Castro, 2006. Seleccionado em 2007 para o “Concurso de Ideias Intervenções na Cidade”, integrado na Trienal de Arquitectura de Lisboa com uma proposta para a Praça de Espanha.
Porto, 1980. Licenciado pela FAUP em 2006, bolseiro Erasmus 02-03 na ETSABarcelona. Frequenta o mestrado “METROPOLIS”, no CCCB/ UPCatalunya, desenvolve tese sobre “A superfície e a espessura na arte e arquitectura contemporânea”. Estagiou no atelier do Arq. José Gigante 2003/05, e colabora com o atelier CA arquitectos desde 2006. Integrou, em 2005, a comissão de edição da “UNIDADE 7-AEFAUP” e organizou na FAUP o ciclo de conferências “Concursos de Arquitectura em Início de Carreira ”. 3º Prémio no Concurso para a área envolvente do Planetário do Porto e do Teatro do Campo Alegre, com Pedro Nuno Silva e Andreia Vigário, 2003. 1º Prémio FAUP no “XIV Concurso Ibérico de Soluções Construtivas PLADUR”, com Pedro N. Silva, 2004. 1º Prémio no Workshop Europeu do “Festival de Arquitectura de Parma”, com Nuno Travasso e Pedro N. Silva, em representação da FAUP, 2004. Menção Honrosa no concurso “SACHE- a Baixa do Porto -Rua de Trás” em co-autoria com Matilde Seabra e Ivo P. Martins, 2006. Trabalho seleccionado no Concurso de Ideias “Intervenções na Cidade - TAL”, com Pedro Ribeiro, 2007. Arquitecto seleccionado, no Concurso “Vamos Fazer Cidade - TAL/Expresso” para o projecto do Porto, 2007.
Começou na terça-feira 5 de junho o ciclo de eventos road to wonderland – a caminho do país das maravilhas com o auditório do Passos Manuel cheio e fervilhante de expectativa. Quatro apresentações, quatro, de diferente carácter e intensidade. Apresentações mais gráficas que discursivas, confirmam a actual tendência para a empatia gráfica como instrumento predominante de comunicação. Nota-se, com a excepção da apresentação dos NPS, um desejo de cruzar referências multidisciplinares, ensaiando as já famosas abordagens transversais (deduzimos que a persistência de Paulo Cunha e Silva poderá ter alguma influência). Foi interessante verificar que estas primeiras confrontações de percursos ainda no início trazem muitas das opções de formação imediatamente pós-escolar seguida por cada um dos conferencistas. Assim é visível em Guilherme Machado Vaz um universo próximo de Eduardo Souto Moura (com quem trabalhou) cruzado com um romantismo com air de Paris nas referências invocadas; nos NPS estão presentes os gabinetes com que cada um trabalha, convocados numa digestão colectiva sobretudo interior à disciplina; nos ateliers de Santa Catarina a rede multipolar de entidades em movimento (por entre Erasmus, Leonardos e afins) fixada num espaço de partilhas e colaborações flexível e multidisciplinar. Daniel Carrapa, o bloggerman himself, a identidade protuberante de abarrigadeumarquitecto confrontou o discurso arquitectónico eminentemente disciplinar com a necessidade de um outro mais comunicante e aberto, confiante nas possibilidades tecnológicas do espaço virtual em rede como ferramentas de requalificação do discurso arquitectónico, mais participado e democrático. Realmente só ficou a perder quem lá não esteve.
Os editores
Bruno Baldaia e Tiago Correia
Por entre profissões de fé (“é espectacular ser funcionário público”) e demonstrações de lucidez (a adaptação da tipologia da casa de lavoura de Balazar em Guimarães, a uma afirmativamente contemporânea casa de férias) a apresentação de Guilherme Machado Vaz evidencia curiosidade pelas coisas que acontecem à nossa volta, estejamos a falar de um projecto de arquitectura ou da apresentação pública de um projecto de arquitectura e a inteligência de agir sobre elas desassombradamente. Utilizar imagens de filmes, textos lidos, excertos de filmes, trechos de música para circunscrever e tornar oportuno um discurso sobre um projecto experienciando-o, sem recorrer à teatralização galiânica ou deixando-nos entregues à sedução das imagens, para comunicar aquilo que realmente constrói aquele projecto, uma abordagem fenomenológica da arquitectura, uma fixação de vivências, de percursos, antecipação de prazeres ou comoções, construídas com coisas tangíveis. A afirmação de um universo de referências muito mais rígido do que seria expectável num arquitecto tão jovem ainda que podendo ser entendido como provocação à euforia da contemporaneidade (tanto como mostrar imagens “casa cláudia” ou de evidente e mediática fotogenia, mas mostrá-las na mesma), não deixa de provocar uma perplexidade perante um possível afunilamento de um imaginário, preocupante porque exclusor. Parte da apresentação da casa, e o segundo projecto, uma campa, não foram visíveis por traição electrónica, pelo que o autor disponibiliza seu visionamento nos seguintes links:
Apresentação tipológica a dos NPS, relacionando os sucessivos espaços físicos de trabalho com os projectos realizados. Os projectos foram apresentados ao de leve, como abordagens, o que pareceu ajustado face ao tipo e tempo da conferência. Os trabalhos apresentados, desde o CMIA de Vila do Conde, a uma casa em Vila da Feira, passando por uma escola de artes em Vigo, foram descritos como peças de um percurso que evidencia uma invulgar consciência da capacidade de resposta ainda que isso signifique menor vontade de especular em torno dos universos estéticos que as suas arquitecturas convocam. Os projectos apresentados revelam uma digestão colectiva das experiências que cada um traz dos gabinetes onde trabalharam num esforço de síntese cuja (presumivelmente) primeira tentativa de superação é visível na casa de Vila da Feira, talvez um cadavre exquis do trabalho futuro dos NPS.
A apresentação do trabalho de Rita e Catarina Almada Negreiros começou com um mapa dos percursos e dos nódulos que compõem o universo dos Ateliers de Santa Catarina. Este começo deleuziano qb expõe a forma de trabalho nos ateliers como uma livre associação de entidades organizando-se em função do âmbito de cada trabalho. Os percursos de cada ponto desse mapa vão construindo um espaço de referências multidisciplinar e flexível, adaptável a circunstâncias distintas. Os trabalhos resultantes deste processo são variados em tipo e resposta, desde um conjunto de casas em banda em Tavira, a gamas de azulejos desenvolvidas industrialmente com a Viúva Lamego e o Grupo Aleluia (hossana!), sinalética para o CCB, a móveis e projectos de iluminação, até uma casa em Palmela, e diversas intervenções em espaços públicos. Nota-se uma abordagem bastante contaminada por áreas de trabalho distintas, relativamente liberta de condicionalismos formais e bastante próxima do universo das Case Study Houses (visível na casa de Palmela, uma CSH com uma atmosfera minhota e uma cozinha IKEA), sentindo-se sempre a presença tuteladora de Charles e Ray Eames, na leveza, energia e universo de trabalho. A apresentação terminou com o projecto para o concurso da sede da Architectural Foundation em Londres, trabalho de síntese dos vários âmbitos por onde se movem, resultando numa proposta complexa e surpreendente. Deve dizer-se que o início/programa e os trabalhos apresentados foram mais interessantes do que a apresentação em si, descritiva e extensa sem a leveza que Rita e Catarina Almada Negreiros evidenciam no seu próprio percurso.
Daniel Carrapa, fazendo uso de um curioso interface electrónico que lhe permitiu interagir com os sistemas de controlo de cortinas e de iluminação da sala, fez uma apresentação defendendo a possibilidade do quotidiano em arquitectura. Se o blog é isso, um registo do quotidiano, um blog de arquitectura, ou sobre arquitectura, tem de produzir uma deslocação do discurso académico para um registo próximo da vida de todos os dias, de forma a que seja possível à arquitectura enquanto disciplina fazer parte da vida de todos os dias das pessoas normais (leia-se não arquitectos), e, para que isso se passe, é necessário abrir espaço à contribuição exterior, para que a discussão sobre coisas que interessam a todos possa fazer-se com a presença de todos. É este enunciado generoso um programa, ou uma profissão de fé (em noite delas)? As edições coordenadas por Philip Jodidio, por exemplo, ao pretender criar um espaço de difusão cada vez mais global para a arquitectura, são frequentemente simplificações de questões cuja complexidade é importante pelo menos pressentir, ou configurações de agendas mediáticas mais ou menos ocultas. Enfim, o universo bloguístico é felizmente mais informal e menos ambicioso, mais democrático pela sua existência em rede, será então possível fazer na vida real, aquilo que se enuncia no universo virtual.
Poderíamos começar a pensar em proibir imagens do Donald Judd, do Richard Serra e do Gordon Matta-Clark em conferências? Com ou sem regime de excepções?
A OASRN vai organizar, em conjunto com a Fundação da Juventude, o Passos Manuel (espaço multidisciplinay de exibição, programação cultural e bar/danceteria/sala-de-concertos), id:D (laboratório de Design da FBAUP) e Wonderland (plataforma de arquitectura de intercambio e apoio a jovens arquitectos sedeada em Viena, Áustria), um ciclo de conferências, debates e apresentações de arquitectos portugueses, dedicado ao tema “Jovens arquitectos portugueses: road to wonderland”, a realizar no espaço cultural “Passos Manuel”, no Porto, entre Junho e Outubro de 2007.
O blogue road to wonderland – a caminho do país das maravilhas, anunciará os eventos disponibilizando informação actualizada on line e realizando sobre eles um acompanhamento crítico aberto à contribuição dos bloggers que se disponham a participar.
O formato do blogue, escolhido pela sua disponibilidade e informalidade operativa, em oposição a uma associação mais institucionalizada que fazemos ao site, pretende funcionar como uma plataforma de discussão que enquadre os universos propostos pelo evento – pretende-se para além da apresentação de trabalhos, abordar em debates ou apresentações, as condições de exercício da arquitectura por arquitectos em início de carreira e as opções profissionais assumidas, construindo uma rede de informação passível de ser cartografada.
O blogue funcionará sobre duas vertentes, a ingestão contém a informação relativa aos eventos programados pela road to wonderland – a caminho do país das maravilhas, e a digestão consiste na plataforma de discussão dos temas levantados pelo ciclo de eventos. Pretende-se igualmente, a partir da participação livre dos blogonautas, construir uma cartografia sobre os universos que dela decorram, que nos relacione com nós mesmos e com as redes que possamos criar enquanto arquitectos a caminho das maravilhas, deste e do outro lado do espelho.
Os editores
Bruno Baldaia e Tiago Correia
A OASRN vai organizar, em conjunto com a Fundação da Juventude, o Passos Manuel (espaço multidisciplinar de exibição, programação cultural e bar/dancetaria/sala-de-concertos), id:D (laboratório de Design da FBAUP) e Wonderland (plataforma de arquitectura de intercambio e apoio a jovens arquitectos sedeada em Viena, Áustria), um ciclo de conferências, debates e apresentações de arquitectos portugueses, dedicado ao tema “Jovens arquitectos em Portugal: road to wonderland”, a realizar no espaço cultural “Passos Manuel”, no Porto, entre Junho e Outubro de 2007.
Esta iniciativa integra a programação das “Extensões” da Trienal de Arquitectura de Lisboa 2007.
A Ordem dos Arquitectos abrange actualmente cerca de 15.000 arquitectos. 55% têm menos de 35 anos. Segundo o Inquérito à Profissão encomendado pela OA ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e apresentado em Novembro de 2006, “entre os factores que contribuem para explicar o êxito profissional, aquele que tem mais peso é a idade, ou seja, o tempo de que toda e qualquer carreira sempre carece para se fazer.” Com maiores dificuldades de acesso ao trabalho, quem são e o que fazem os jovens arquitectos? Como é que as crescentes oportunidades de intercâmbio e mobilidade internacional, em particular no espaço Europeu, marcam os jovens arquitectos?
A Road to Wonderland assiste a vontade de mapear a ruptura e de a contextualizar num espaço de diálogo e participação. A academia é um espaço de tradição humanista e ideologias que propícia a construção de uma visão utópica sobre as práticas que ministra. Essa visão enquanto motor da vontade de mudança e de um posicionamento idealista em relação às práticas e ao seu enquadramento social não deixa de chocar ostensivamente com aquilo que definimos como o real.
Mapear este espaço de transição, entre a capacidade de sonhar com um País de Maravilhas, utópico e pleno de idealismo e a capacidade de aplicação e enquadramento pragmático desse programa num espaço de acção real é especialmente pertinente no contexto das práticas artísticas e culturais, seja a arquitectura, o design ou a própria arte. É este espaço de circulação e transversalidade, onde ideias e metodologias convergem, que a capacidade criativa destes agentes se concentra e opera, ainda que coadjuvado pela saturação do mercado de trabalho e por todos os constrangimentos que a inserção na carreira que se definiu como ideal de vida pressupõe.
A iniciativa pretende dar oportunidade a jovens arquitectos de expor o seu trabalho, iniciar um debate profundo sobre a situação dos jovens arquitectos em Portugal, incluindo a realização de mesas redondas com a participação de jovens arquitectos europeus permitindo enquadrar a situação portuguesa no contexto do espaço europeu e, finalmente, permitir seleccionar os 11 ateliers que participarão a partir de Dezembro de 2007 no projecto de intercâmbio europeu “Wonderland Exchange: Changing Europe / (Ex-) changing conditions” de que a OASRN é um dos co-organizadores.
Este ciclo de conferências, debates e apresentações inclui, alternadamente ao longo das 13 sessões, 3 tipos de sessões:
a apresentação em formato de conferência de trabalhos realizados por jovens arquitectos, em projecto, em obra ou já construídos, ou ainda de outras actividades que envolvam a arquitectura mas em que esta não é a actividade principal, como o blog, a revista de arquitectura, a fotografia de arquitectura;
a apresentação de estudos monográficos ou temáticos sobre figuras da arquitectura portuguesa, resultado de investigações recentemente completadas ou em curso, mas incidindo sobre o período de início de carreira, como forma de comparação histórica com a realidade contemporânea;
sessões de debate com formato de mesa redonda, com moderador e convidados, a partir de estudos recentes sobre a realidade profissional dos jovens arquitectos, nomeadamente o Inquérito à Profissão encomendado pela OA ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e apresentado em Novembro de 2006, os três primeiros números da revista “Wonderland” com a qual a OASRN estabeleceu uma parceria para o projecto “Wonderland Exchange”, e que focam aspectos do ‘como’ da profissão, numa perspectiva europeia, permitindo confrontar a nossa realidade com o contexto mais vasto em que se insere.
Luís Tavares Pereira, Teresa Novais, Filipa Guerreiro
Pelouro da Cultura OASRN
[OASRN] CULTURA
Porto, 1974. Licenciado pela FAUP 1998, bolseiro Erasmus 97-98, na École des Beaux-Arts em Paris. Estagiou no atelier do Arq. Eduardo Souto Moura. Trabalha, desde 2000, na Câmara Municipal de Matosinhos, onde entre outros projectos construiu uma Escola do 1º ciclo em Leça da Palmeira, uma esplanada no Jardim Basílio Teles em Matosinhos e o Centro Cívico de Custóias. Desenvolve, a título individual, diversos projectos, estando já construída a Casa do Vale em Vieira do Minho e uma Sepultura no Porto. Em 2006, como Team Architect para David Chipperfield Architects, desenvolveu o projecto de execução de 4 casas no Golf Resort do Bom Sucesso, em Óbidos. 2º classificado, em Co-Autoria com o Arq. Nuno Graça Moura, no Concurso Internacional para a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (2003). Finalista do Prémio Ibérico de Arquitectura “Enor 2006” com a Casa do Vale em Vieira do Minho, e “Enor 2007” com o Centro Cívico de Custóias em Matosinhos.
Atelier iniciado em 2000 por Catarina e Rita Almada Negreiros, tem vindo a desenvolver, individualmente e em parceria, inúmeros projectos, dos quais se destacam: habitação unifamiliar em Palmela; remodelações/ampliações dos escritórios das sedes das empresas SimiaPack, Montijo; escritórios Contimetra, Alfragide; Projecto de enoteca atelier del vinho para as galerias La Rinascente, Piazza Duomo, Milão. Desenvolvem actualmente, produtos de revestimento cerâmico para o Grupo Aleluia - Viúva Lamego. 2° lugar no concurso Architecture Foundation New Building, Londres (a-graft); e 3º lugar no concurso de espaço público para a Old Street, Londres. Rita A.N., Lisboa 1969. Licenciada pela U. Lusíada Lisboa 1994. Pós graduação em Design Urbano pela Universidad de Barcelona e CPD. Colabora até 1997 no atelier de Jean Michel Wilmotte, Paris. Em co-autoria com A. Cianchetta e Rosário Salema vence concurso para Jardim Público de homenagem aos emigrantes da Península Ibérica, em Lille, construído em 2003. Catarina A.N., Moçambique, 1972. Licenciada pela FAUTL 1996. Bolseira Erasmus no IUAVeneza 1995. Mestrado em Arquitectura na Universidade de Harvard 00-02. Colaborou com o atelier MUF: art/architecture, Londres.
Escritório de arquitectura, formado em 2001 por Rui Neto, Odete Pereira e Sérgio Silva. Arquitectos licenciados em 2000 pela U. Lusíada Porto, com especialização em Recuperação Arquitectónica e Urbana. Rui Neto, Figueira da Foz, 1977. Estagiou e colabora com Arq. José Paulo dos Santos. Odete Pereira, Vila Nova de Gaia, 1976. Estagiou com os Arq. Francisco Vieira de Campos e Cristina Guedes. Sérgio Silva, Porto, 1976. Estagiou com o Arq. Paulo Borges e com o Arquitecto José Fernando Gonçalves. NPS participou no concurso Polis-Europan para o CMIA de Vila Nova de Gaia, ficando classificado em 5º na “shortlist” de convidados para o concurso do CMIA de Vila do Conde, 1º classificado (já construído); CMIA de Aveiro, 2º Classificado; e CMIA do Cacem, concurso anulado. 1º Classificado no Concurso para as Novas Instalações da Sede da OASRN, Porto, 2004 e 2º Classificado no concurso para a remodelação e Ampliação das Instalações da Sede da Ordem dos Engenheiro SRN, Porto, 2006. Finalista do Prémio Ibérico de Arquitectura Enor 2006 com o Projecto do CMIA de Vila do Conde.
Lisboa, 1973. Licenciado pela FAUTL 1996. Inicia, em 1997, actividade em profissão liberal, em colaboração com João Moutinho, tendo construído entre 1997 e 2005 diversas obras públicas e privadas em Sintra, Palmela, Loures, Arraiolos, Évora, e vários loteamentos de habitação a custos controlados, com a Somague PMG, em Lagoa (S.Miguel) e em Angra do Heroísmo. Trabalha desde 1999 na Divisão de Administração Urbanística da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo. Autor do blog “A Barriga De Um Arquitecto” (abarrigadeumarquitecto.blogspot.com) que mantém desde Dezembro de 2003, tendo recebido mais de 300.000 visitas e 460.000 visualizações de página. Desde 2005, colabora regularmente com Fernando Guerra / Últimas Reportagens. Coordenador do blog da Trienal de Arquitectura de Lisboa.
A digestão é um processo mais ou menos complexo que decorre duma ingestão de alguma coisa que nos é exterior mas que, por uma razão ou outra, nos é importante. Diz-se até que não podemos viver sem a ingestão e que teremos sérias dificuldades em sobreviver sem a digestão. Acreditamos.
Este blogue pretende então digerir o alimento equilibrado e enriquecedor fornecido pelo ciclo de eventos road to wonderland – a caminho do país das maravilhas através das diversas formas que o nosso corpo, notável produto de design, nos proporciona nos seus bons e maus momentos. Essa digestão será coisa colectiva, aberta, disponível e dependente da participação enzimática dos blogonautas que dela queiram fazer parte.
O somatório nunca numérico e desejavelmente qualitativo deste processo poderá criar uma cartografia dos universos que partilhamos enquanto arquitectos em plena estrada de tijolo amarelo, que nos permita olharmos para os outros e para nós próprios colectivamente e em rede, de forma aberta e exposta porque cada vez há menos razões para não o fazermos.
A digestão será umas vezes acolhedora e pacífica, outras vezes dura, difícil ou mesmo violenta, revelará sempre o nosso entusiasmo, a nossa adesão e/ou aversão às refeições ingeridas, reconheceremos, por vezes, dificuldades congénitas, outras descobriremos espaços esclarecedores, mas isso, de facto, só depende de cada um de nós. Que venham as vitualhas!
Os editores
Bruno Baldaia e Tiago Correia